Julho 24, 2009 .:::::. 3:00 PM

Volta ao Mundo em 4 filmes: Seguem 4 opiniões, sobre 4 filmes de 4 países diferentes e falados em 4 línguas diferentes.


Há Tanto Tempo que Te Amo

O francês "Há Tanto Tempo que Te Amo" é um eficiente drama sobre a jornada de uma amarga mulher (Kristin Scott Thomas, em grande desempenho), que depois de 15 anos presa é liberta e passa a viver com sua compreensiva irmã (Elsa Zylberstein, também ótima).

A condição de ter cometido um crime obscuro e voltar a viver em uma sociedade que desacretida como uma mulher bonita e inteligente possa ser capaz de cometer um crime grave são tratados a contento pelo roteiro delicado. Várias são belas passagens e cenas silenciosas que retratam a solidão da personagem de Kristin, e também a dificuldade de sua irmã em fazer o marido e as filhas aceitarem a presença da irmã, a despeito dos preconceitos, caras feias e muitos questionamentos sobre seu passado obscuro.

É um belo filme, que apesar de seguir um caminho perigoso de redenção ao se aproximar de seu desfecho, ainda assim oferece um interessante e singelo retrato do amor familiar.

Nota: 8.3


Deixe Ela Entrar

O suéco "Deixe Ela Entrar" é um sopro de originalidade que conseguiu chamar a atenção de diversos países por onde passou, seja em festivais ou em circuito comercial. Seja pela originalidade dos enquadramentos, pela fotografia singular, e principalmente pelo roteiro original e complexo; o filme obtêm êxito por retratar uma história de amizade e amor de uma forma envolvente mesmo utilizando elementos do gênero de terror.

Acho que vale a pena não comentar muito sobre a história, e dizer que quem se deixar levar por uma trama dark, cenários de uma gélida Suécia e principalmente ter paciência para ser apresentado aos personagens, que têm seus rostos e personalidades revelados de forma lenta e gradual, não irá se arrepender. "Deixe Ela Entrar" é um filme bastante único, interessante e emocionante.

Nota: 9.0


Valsa com Bashir

O israelense "Valsa com Bashir" foi um dos filmes mais elogiados e comentados no ano de 2008, sendo ganhador do Globo de Ouro e finalista ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. É uma produção que trata de um tema já usual, seja lá qual for a guerra, os filmes do gênero sempre acabam atirando para o mesmo viés.

"Valsa com Bashir", contudo, é um filme diferente. Muito diferente. A começar por se todo ele concebido em animação, algo no mínimo pouco usual para um filme do gênero. Outra questão interessante é que o filme assume um ar meio de documentário, porém as lembranças dos personagens são retratadas em forma de sonhos...experiências um tanto quanto espirituais.

É no geral um filme bastante poético e repleto de imagem chapantes. É um tanto cansativo, é verdade, mas sua originalidade e viés poético compensam a falta de ritmo.

Nota: 8.0


Leonera

O argentino "Leonera" foi selecionado para Cannes no ano passado e foi a aposta argentina para o Oscar do mesmo ano, mas não conseguiu ficar entre os finalistas. É um filme bastante correto, e mesmo sem grandes arroubos consegue prender a atenção do espectador graças a boa presença de Martina Gusman, que defende sua personagem com muita garra e valentia.

Martina é Júlia, uma moça que se vê envolvida em um crime passional e acaba sendo presa e condenada. Grávida, ela sabe que seu filho será concebido e viverá com ela até os 4 anos de idade. Se de início a gravidez e o bebê pareciam mais um estorvo, com o passar do tempo o amor maternal passou a falar mais alto e Júlia acaba se tornando um guerreira para defender a si e a seu filho.

É um filme que não foge da cartilha básica dos filmes de prisões e penitenciárias. Mas por retratar esse universo tanto do ponto de vista feminino e sobre um universo totalmente feminino, "Leonera" se torna um filme interessante e com algo a dizer.

Nota: 7.0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 19, 2009 .:::::. 10:45 AM

O Leitor (Melhor Filme, Diretor, Atriz, Roteiro Adaptado e Fotografia)

É interessante notar como palavras como "nazismo" e "holocausto" já de cara provocam certos preconceitos na indústria do cinema. O tema pode ser batido, mas ainda existem diversas formas de utilizar esse fato histórico na construção de uma história. Não é preciso mostrar os judeus sofrendo ou então mostrar Hitler maquinando suas táticas. "O Leitor" é um exemplo de como fugir destes lugares-comuns.

A questão é que "O Leitor" retrata com muita sabedoria a questão da culpa alemã. Para tentar minimizar-se e desculpar-se com o mundo de forma geral, algumas figuras menores ligadas a SS foram julgadas e condenadas. Porém a verdade é que boa parte da sociedade alemã sabia o que estava acontecendo, e utilizar tais pessoas na tentativa de expiar a culpa de toda uma sociedade é uma covardia. Uma enorme covardia.

As interpretações fantásticas de Kate Winslet, em outro grande desemprenho e um supreendente David Kross, que consegue fazer frente a maestria de Winslet, são faotres que também contribuem para o bom resultado final do filme. É bem verdade que "O Leitor" carece de uma certa força, de um certo diferencial. Mas é um bom filme de toda maneira.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 10:16 AM

Frost/Nixon (Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Adaptado e Edição)

Outro filme baseado em uma peça teatral, "Frost/Nixon" é um interessante embate entre um inexperiente entrevistador, Frost (um ótimo Michael Sheen) e o ex-presidente Richard Nixon (Frank Langella, em desempenho perfeito). Ambos tinham com a entrevista objetivos diferentes, mas para alcançá-los a meta era a mesma para os dois: destruir o oponente na entrevista.

Com este interessante ponto de partida, "Frost/Nixon" é com certeza um bom filme sobre política e determinações pessoais, porém o diretor Ron Howard e o roteirista Peter Morgan poderiam ter enxugado muito dos 122 minutos de filme. As cenas em forma de entrevista com os envolvidos são desnecessárias, e o filme poderia ganhar e muito se fosse mais ágil e eletrizante. A opção em retratar tudo meio que passo a passo é interessante pelo fator histórico, mas dramaticamente é irrelevante e até prejudicial ao meu ver.

De toda forma é um filme interessante, bem atuado e historicamente relevante.

Nota: 7,8


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 9:47 AM

Dúvida (Melhor Atriz, Ator Coadjuvante, Atrizes Coadjuvantes e Roteiro Adaptado)

"Dúvida" originalmente é uma peça teatral escrita por John Patrick Shanley, que traçou seu caminho em direção ao cinema sem perder sua essência teatral. Shanley adapta sua própria peça e dirige este drama religioso extremamente envolvente e interessante.

O filme lembra bastante o teatro. As cenas são longas e extremamente dialogadas, os planos quase sempre são fechados e os atores dão o sangue para tornar a trama ágil e contundente sem cansar o espectador. "Dúvida" recebeu o maior número de indicações de um elenco para atores, 4 no total. E não poderia ser mais justo. Todo o elenco está soberbo e entregam atuações fortes e bem lapidadas; e o ótimo resultado final é quase todo fruto do trabalho dos atores, que estão como num palco vazio sem qualquer subterfúgio para despistar o espectador. É uma relação direta e única entre quem assiste e quem atua no filme. Nada está no meio.

São apenas personagens muito bem delineados e uma história interessante que fazem "Dúvida" se tornar um grande filme.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 17, 2009 .:::::. 11:44 AM

A Troca (Melhor Atriz, Fotografia e Direção de Arte)

Os filmes baseados em fatos reais, com histórias de mulheres fortes em busca de um ideal geralmente são taxados pela crítica de filmes maniqueístas e com um pé no dramalhão. "A Troca" segue esse perigoso caminho, mas munido de qualidades superlativas para reverter possíveis preconceitos.

Em filmes com histórias como essas, o papel central é sempre crucial para o andamento da trama, e Angelina Jolie dá um show como uma mãe desesperada, acuada e ao mesmo tempo forte e determinada. Além de o seu visual se encaixar perfeitamente no contexto, Jolie não exagera no tom e entrega uma perfomance exemplar. A direção minuciosa e detalhista de Eastwood também é fenomenal, bem como toda a parte técnica; do figurino passando por fotografia e direção de arte.

É um daqueles filmes que mexem com o espectador, que faz aflorar emoções contra situações de injustiça e abuso de poder; e principalmente comove pelo amor de uma mãe para com o seu filho perdido e por sua luta sem fim para encontrá-lo.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 11:10 AM

O Visitante (Melhor Ator)

Thomas McCarthy é o responsável por um dos filmes mais simpáticos e inusitados que apareceram no cenário independente nos últimos tempos, "O Agente da Estação". E não é que ele consegue se superar com este "O Visitante", um delicioso e singelo filme que te prende do início ao fim sem se utilizar de grandes arroubos estilísticos e sem grandes reviravoltas.

Linearidade é a palavra chave de "O Visitante". E claro, a excelente interpretação do talentoso Richard Jenkins colabora e muito para o ótimo resultado final. Na verdade não se tem muito o que falar sobre o filme. É uma produção modesta, que se utiliza basicamente de duas grandes armas, um roteiro inteligente e atuações inspiradas, para conquistarem o espectador.

É um daqueles pequenos filmes que te marcam pela honestidade, simpatia e originalidade.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 10:45 AM

Trovão Tropical (Melhor Ator Coadjuvante)

Ben Stiller é um cara interessante. Como ator vive reprisando sempre o mesmo pepel de boboca apixonado em filmes como "Quem Vai Ficar com Mary", "Quero Ficar com Polly" e recentemente em "Antes Só do que Mal Casado".

Porém como realizador, sua ambição e criatividade são bem mais supreendentes. "Trovão Tropical" é um projeto ainda mais ambicioso que "Zoolander", primeiro filme de Stiller na direção. Recheado de participações especiais e um ponto de partida muito interessante, o filme é um esforço do ator, que além de dirigir protagoniza, produz e co-escreveu o roteiro.

Robert Downey Jr. está realmente hilário como o ator que vai fundo em seus papeis. Os trailers fakes que passam no começo do filme são hilários. E algumas piadas funcionam muito bem. Porém "Trovão Tropical" por muitas vezes passa do ponto e se perde em sua própria ambição.

Nota: 7,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 11, 2009 .:::::. 12:19 PM

O Lutador (Melhor Ator e Atriz Coadjuvante)

Darren Aronosky é um diretor que apesar da curta carreira já consegue ser um nome muito respeitado no mundo do cinema cabeça e de qualidade. "Pi" particularmente não é dos meus favoritos, mas "Requiém Para um Sonho" e "Fonte da Vida" são filmes maravilhosos. "O Lutador" pelas críticas extremamente positivas e o respaudo de um Leão de Ouro em Veneza parecia ser o grande filme da temporada. Mas sinceramente achei que não chega a tanto.

O filme é inegavelmente bom. Simples, direto, evita clichês a todo custo e é emocionante na medida certa em função das excelentes interpretações de Mickey Rourke (em uma sincera e honesta interpretação) e Marisa Tomei (em outro grande desempenho). "O Lutador" disserta muito sobre o tempo, sobre como a idade e as limitações do corpo podem impedir um lutador de luta livre como Randy de fazer o que sabe, lutar; ou atrapalham a vida profissional de uma stripper como Cassidy, taxada de velha e quarentona pelos clientes.

Mas apesar das qualidades, o roteiro não consegue se desvencilhar muito da estrutura de um filme de esporte. Randy pode não buscar a glória perdida, mas busca a redenção; seja na relação com sua filha, seja na batalha por continuar lutando. E assim o filme se contrói, sem grandes inovações e também sem apelar para os vícios do gênero. É um bom filme, muito aclamado aliás pela inevitável comparação entre o personagem e o ator, que possuem histórias semelhantes. "O Lutador" é um bom filme, que se torna algo mais por suas marcantes interpretações.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 10, 2009 .:::::. 6:04 PM

Rio Congelado (Melhor Atriz e Roteiro Original)

Esta é uma típica produção independente, feita com poucos recursos, uma boa idéia na cabeça e muita boa vontade. E assim, após passar por diversos festivais, "Rio Congelado" emplaca duas merecidas indicações ao Oscar.

O roteiro traça um retrato interessante sobre como a ilegalidade e todos os benefícios de dinheiro fácil que ela oferece podem aliciar pessoas que buscam a todo custo se manterem honestas; mas que fatalidades e situações adversas as fazem repensar seus valores, já que existe sempre um instinto mais básico que o bem estar moral individual: o bem estar familiar.

As boas atuações de Melissa Leo e Misty Upham garantem densidade ao filme, que consegue de manter interessante e tenso durante toda sua projeção. Vale a pena conferir este pequeno e instigante trabalho.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:38 PM

Foi Apenas um Sonho (Melhor Ator Coadjuvante, Figurino e Direção de Arte)

Esse "Foi Apenas um Sonho" era uma das grandes apostas da temporada de prêmios, mas acabou perdendo fôlego no Oscar e só conseguiu três indicações. A questão é que muitos críticos fizeram a inevitável comparação entre o filme e a obra consagrada de Richard Yates. Eu como não li o livro, posso apenas falar sobre o filme.

Filme que é muito bom por sinal. Apesar de em certos momentos faltar uma certa sutileza nos diálogos, o filme traça com competência uma radiografia de um casal típico que sente enormes dificuldades em se sentir feliz vivendo no estilo "american way of life" em plenos anos 50.

Na relação, April (uma vigorosa e arrasadora Kate Winslet) é a incorfomista, sempre tentando buscar uma maneira de tentar sair do tédio e do convencionismo, mesmo não tendo muita certeza de que isso de fato salvará seu casamento ou a irá deixar planemente feliz. Frank (um esforçado Leonardo DiCaprio) já acha que a vida típica não pode ser tão ruim, basta apenas lançar mão de subterfúgios como casos extra-conjugais para conseguir levar adiante a sua relação.

E assim o filme se constrói, neste embate entra ambos personagens na luta por um sentido na vida. As indicações são justas, mas o filme poderia e merecia um pouco mais de reconhecimento.

Nota: 8,3


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:13 PM

Vicky Cristina Barcelona (Melhor Atriz Coadjuvante)

Eu ainda não me considero um profundo conhecedor do trabalho de Woody Allen, mas já vi muita coisa dele e pessoalmente acho que "Vicky Cristina Barcelona" está entre as melhores coisas de sua carreira.

Aliás, uma das grandes ausências do Oscar 2009 é o roteiro do filme, injustamente esquecido! Allen trabalha aqui com uma leveza brilhante, onde o seu texto além de engraçado soa moderno e especialmente abrangente, pois seus personagens ressaltam as inúmeras possibilidades existentes quando falamos de amor e relacionamentos.

O elenco aproveita o belo texto e brilha. Bardem e Cruz estão em plena sintonia, Scarlett está cada vez mais solta e a vontade trabalhando com o diretor e Rebecca Hall brilha ao transformar a personagem mais batida numa figura humana e digna de compaixão.

É em suma um filme delicioso de se assistir. Uma mistura de humor e análise de relacionamentos que só um bom Woody Allen pode oferecer.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:50 PM

Wall-E (Melhor Animação, Roteiro Original, Canção, Trilha Sonora, Som e Edição de Som)

A Pixar é realmente mágica. Não existe outra palavra que melhor defina esta grande produtora, que produz um filme melhor que o outro ano após ano. Para mim, "Wall-E" é o seu melhor trabalho até aqui.

O filme é ambicioso e muito perspecaz em seu escopo, que trata de questões relevantes como o meio ambiente, assunto muito em voga hoje em dia e brilhantemente desenvolvido pelo roteiro. Mas além de ambicioso, o filme é também singelo. De todos os personagens já criados pela Pixar, Wall-E talvez seja o mais simples de todos, e também o mais lindo e apaixonante. E o romance entre ele e Eve é maravilhosamente belo e especial.

É um filme belíssimo, muito bem realizado e arquitetado. Será que a Pixar tem mais o que melhorar e ainda irá continuar a nos surpreender a cada ano? Eu não duvido.

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:37 PM

Austrália (Melhor Figurino)


"Austrália" é sem dúvida alguma um projeto ambicioso. Baz Lurhmann desde o seu acerto fenomenal com "Moulin Rouge" vinha procurando algo ainda mais grandioso para dirigir. E após uma tentativa frustrada de dirigir um épico sobre Alexandre, o Grande; o diretor encontrou a inspiração em realizar um épico no melhor estilo "E o Vento Levou..." sobre o vasto país que dá nome ao filme.

O filme pode ser considerado como dividido em duas partes. Em sua primeira parte, "Austrália" é um eficiente e belo filme western, com boas doses de ação, aventura, comédia e romance. Mas a sede de grandiosidade de Lurhmann o prejudica com a segunda parte do épico, que vira um filme de guerra meio aguado, sem muito contexto histórico e principalmente sem muita relevância para a trama. Parece que o diretor apenas quis filmar belas cenas de guerra e deu um jeito de encaixá-las na trama, mesmo elas não sendo necessárias para o filme como um todo.

É um trabalho irregular porém muito bem feito como sempre. Os figurinos justamente indicados ao Oscar são um charme a parte bem como a fotografia e a grandiosa direção de arte. O casal Kidman e Jackman funciona bem e exala carisma, o que também contribui para o resultado positivo do filme, apesar de suas marcantes falhas.

Nota: 7,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:18 PM

A Duquesa (Melhor Figurino e Direção de Arte)

Este é o filme de época da temporada, com seus figurinos e cenários exuberantes, justamente indicados ao Oscar. O foco aqui recai sobre Georgiana Spencer (Keira Knightley, em mais um filme de época e em mais uma boa atuação), ícone de moda e política na Inglaterra da sua época; porém infeliz e reprimida em um casamento chocho com o Duque de Devonshire (Ralph Finnes, em ótimo desempenho).

As relações traçadas entre Georgiana e sua parente mais atual, Diana ou Lady Di são marcantes. Ambas se tornaram famosas e exemplos de uma forma totalmente natural, e a infelicidade no matrimônio também foi muito semelhante, já que ambas se casaram com homens infiéis e sem um pingo de carisma.

O filme não é exatamente marcante ou inovador. É uma boa recriação de época, sobre uma personagem interessante. A política cede lugar ao romance na maior parte do tempo, o que tornam o filme agradável se assistir, mas com pouca relevância histórica e social.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:15 PM

Na Mira do Chefe (Melhor Roteiro Original)

Foi bastante surpreendente o sucesso que este pequeno filme obteve. Mesmo porque não se trata de um drama, mas de uma comédia com toques de ação que dificilmente consegue obter êxito em premiações. Mas “Na Mira do Chefe” conseguiu chegar lá, e teve uma justa indicação como Melhor Roteiro Original.

O título original faz referencia a cidade de Bruges, na Bélgica. E granda parte da graça do filme reside exatamente na exploração dos pontos da cidade. As piadas são boas, Colin Farrell está ótimo, bem como Brendan Gleesson e Ralph Fiennes. É um filme bem interessante, com boas doses de humor e uma trama muito inteligente que fazem deste um programa muito agradável.

Nota: 8,3


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:10 PM

Batman - O Cavaleiro das Trevas (Melhor Ator Coadjuvante, Fotografia, Direção de Arte, Edição, Maquiagem, Som, Edição de Som e Efeitos Especiais)

Fechando os comentários sobre adaptações de HQ, vou falar sobre a mais vencedora do ano. Eu realmente achei que o filme teria forçar para arrancar uma justa indicação na categoria principal como melhor filme e o talentoso Nolan seria igualmente agraciado. Não aconteceu.

Mas as 8 indicações comprovam a força desse filme que quebrou todas as expectativas de bilheteria e foi aclamado por público e crítica. É uma evolução do já muito bom “Batman Begins”, que acerta ao criar um escopo maior para a trama, investe menos em acessórios visuais (batcarro, etc.) e aposta tudo em seus personagens, Harvey Dent e ele, o Coringa de Heath Ledger; fator decisivo para o sucesso do filme.

É bem verdade que a morte de Ledger potencializou as coisas e tornou tudo muito mais sombrio. Mas excluindo-se este “detalhe”, a verdade é que o filme é um acerto fenomenal; é instigante, completo, muito bem feito, muito bem atuado e brilhantemente dirigido por Nolan. Sem dúvida a melhor adaptação de uma HQ.

Nota: 9,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:06 PM

O Procurado (Melhor Som e Edição de Som)

O mercado cinematográfico atual jogos toda a responsabilidade dos filmes de ação para a adaptação de HQ´s. São essas adaptações que hoje atendem a demanda do público que anseia por filme ágeis, efeitos de ponta e claro, tiros.

Poucos são aqueles, porém, que se arriscam. Na ânsia por atingir um público maior nos cinemas, muito é suavizado para se obter uma censura mais branda. Não é o caso de “O Procurado”, talvez a fita de ação mais visceral da temporada.

Sem medo de provocar o público com uma história que beira o non-sense, a trama é uma deliciosa bobagem que ganha inúmeros pontos por não tentar tornar tudo leve e brando. O diretor russo Timur Bekmambetov não poupa esforços para tornar o programa denso e ágil, e o elenco de primeira (um McAvoy mais um vez sensacional e uma Angelina Jolie matadora) seguram as pontas. No geral, diversão de primeiríssima linha.

Nota: 8,8


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 23, 2009 .:::::. 11:43 AM

Homem de Ferro (Melhores Efeitos Especiais, Edição de Som)

Eu sou minoria, mas realmente não entendi todo o auê criado em cima deste "Homem de Ferro". Não que o filme não seja legal, bem feito. Mas também não é um filme para figurar entre os melhores do ano como alguns apontam, de forma alguma.

Muito do sucesso do filme se deve a carismática presença de Robert Downey Jr., que leva o filme nas costas com seu sarcamos e humor afiado. Os outros personagens são todos superficiais e pouco contribuem para a trama. Fora isso, o roteiro é bem pouco inspirado, sempre muito limitado e com pouca ou nenhuma inovação ou emoção.

O clímax meio sem sal ressaltam que em termos de ação e conteúdo "Homem de Ferro" é bastante razo, apesar da simpatia de seu protagonista e do bom acabamento técnico. É um filme ok, uma diversão passageira e por vezes divertida. Porém particularmente esperava mais.

Nota: 7,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 10:08 AM

HellBoy II - O Exército Dourado (Melhor Maquiagem)

O primeiro Hellboy já tinha causado uma boa impressão pelo seu apelo fantasioso, cheio de personagens bizarros e mágicos. Estas são qualidades onipresentes na filmografia do diretor Guillermo Del Toro, e que ele aqui se sente mais a vontade e mais confiante para exaltar depois do sucesso de seu filme anterior, "O Labirinto do Fauno".

"HellBoy II" é sem dúvida alguma muito mais caprichado que seu antecessor, tanto visualmente quanto também no roteiro, que sai das limitações da apresentação das origens do personagem e abre espaço para a construção de uma história bem melhor desenvolvida e interessante.

É com certeza um tipo de filme de herói diferente, já que o personagem é em si um anti-herói. Os efeitos são caprichados, a parte técnica é de primeira e a direção segura de Del Toro somadas a um roteiro inteligente e dinâmico mais ao carisma dos atores fazem do filme um programa de primeira; além de completar o seu antecessor. Qualidades raras para uma continuação.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 9, 2009 .:::::. 1:36 PM

Melhores e Piores de 2008

Está dada a largada para mais uma temporada de premiações. Estou muito otimista este ano, muitos filmes que ansiava muito estão figurando nas listas e com boas chances no Oscar.

Mas antes disso, eu sempre gosto de fazer a minha listinha pessoal de melhores filmes e atuações do ano, e a lista dos piores também. Me baseio para compor a lista filmes que estrearem no Brasil em de 01/01 a 31/12 de 2008. Vamos lá:

Melhores filmes

1- Na Natureza Selvagem
2- Wall-E
3- Apenas Uma Vez
4- Vicky Cristina Barcelona
5- Batman - O Cavaleiro das Trevas
6- Longe Dela
7- O Nevoeiro
8- Desejo e Reparação
9- 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
10- Ensaio Sobre a Cegueira

Menções: "Rebobine, Por Favor", "O Procurado", "O Banheiro do Papa", "Antes que O Diabo Saiba que Você Está Morto", "A Família Savage", "O Escafandro e a Borboleta", "Meu Nome Não é Johnny".

Melhores Diretores

- Frank Darabont (por O Nevoeiro)
- Sean Penn (por Na Natureza Selvagem)
- Woody Allen (por Vicky Cristina Barcelona)
- Christopher Nolan (por Batman - O Cavaleiro das Trevas)
- Michel Gondry (por Rebobine, Por Favor)

Melhores Atuações Masculinas

- Emilie Hirsch (por Na Natureza Selvagem)
- Glen Hansard (por Apenas Uma Vez)
- César Troncoso (por O Banheiro do Papa)
- Heath Ledger (por Batman - O Cavaleiro das Trevas)
- Selton Mello (por Meu Nome Não é Johnny)

Melhores Atuações Femininas

- Markéta Irglová (por Apenas Uma Vez)
- Julie Christie (por Longe Dela)
- Anamaria Marinca (por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias)
- Rebecca Hall (por Vicky Cristina Barcelona)
- Julianne Moore (por Ensaio Sobre a Cegueira)

Piores Filmes

- Fim dos Tempos
- Cloverfiled
- Jumper
- Cinturão Vermelho
- Um Amor de Tesouro


TIAGO HENRIQUE MELO .


Novembro 21, 2008 .:::::. 6:13 PM

Cinema: 007 - Quantum of Solace

Eu particularmente não sou um expert em James Bond. Pelo contrário, minhas duas únicas experiências pré Daniel Craig tinham sido com Pierce Brosnan em "Um novo Dia para Morrer" e "Goldeneye". Mas é notório que a série mudou de rumo. E para melhor.

"Cassino Royale" é um filme de ação de tirar o fôlego e deu um up na série, tanto pela renovação do protagonista quanto na forma de executar o filme. A grande verdade, em minha opinião, é que os filmes do 007 pré Craig eram datados, cheio de efeitos toscos e bregas. "Cassino Royale" deu uma nova roupagem a série, mais moderna e com menos gordura. E "Quantum of Solace" amplia esta nova visão.

É bem verdade que este não é tão empolgante, principalmente em termos de roteiro que seu predecessor. Porém existem elementos a serem elogiados nesta nova investida. Primeiro o filme queima toda a gordura e apela o mínimo para os clichês da série. A ação é pura, limpa e constante (seja no céu, terra ou mar). O diretor é possivelmente o mais talentoso que a série já teve, o versátil e ótimo Marc Forster. Ele obviamente fica refém da ação, mas é possível enxergar um conteúdo dramático mais bem elebaorado em algumas cenas e principalmente na personalidade de Bond (menos malandro e engraçadinho e muito mais humano).

Muitos acusam que a causa maior da mudança na série é por conta de Bourne, o outro agente secreto que vem se firmando como um modelo a ser seguido. Bond está correndo atrás do prejuízo. Esperemos que continue assim.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Novembro 14, 2008 .:::::. 6:20 PM

Cinema: Rebobine, Por Favor

É engraçado, mas em certos momentos da vida a gente se descobre como sendo...alguma coisa. Existe um ponto que separa o que você era do que você se tornou. No meu caso eu me descobri cinéfilo quando o vídeo cassete que tinha em casa quebrou, e meus pais domoraram um tampão para comprar outro. No momento em que eles compraram o novo vídeo, eu me tornei um cinéfilo.

"Rebobine, Por Favor" (Be Kind Rewind, EUA, 2008) é um desses filmes que tem a possibilidade de fisgar a todos de forma geral por sua originalidade, mas que realmente encanta aqueles que são cinéfilos e que viveram a época do vhs. É desses filmes para quem ama cinema, e que se deixa levar com naturalidade pelas "maluquices" de Michel Gondry, um dos diretores mais criativos da atualidade.

É bem verdade que existe um pouco de exagero e de excessos, cometidos em especial pela dupla Jack Black e Mos Def. Porém a bizarrice vai aos poucos se encaixando, se tornando palatável e ao seu final "Rebobine, Por Favor" é puro riso e nostalgia para os cinéfilos de plantão.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Maio 7, 2008 .:::::. 4:11 PM

Livro X Filme: Correndo com Tesouras

É inegável que na maioria dos casos um livro é sempre superior a um filme. Porém existem milhares de adaptações de obras literárias todos os anos estreando nos cinemas, e invariavelmente umas são melhores do que outras. Cada adaptação é, assim, única.

"Correndo com Tesouras" foi um caso engraçado. Primeiro comprei o filme pra assistir. Mas um dia depois vi o livro pra vender por um preço muito em conta e resolvi comprar também. Porém sou do tipo de pessoa que lê o livro primeiro e depois vê o filme, nunca o contrário. Se vejo um filme primeiro não consigo ler o livro depois, acho que perde muito a graça da coisa.

Mas enfim, quase que no mesmo dia que termineir de ler o livro já vi o filme em sequência. E não sei se isto influenciou, porque todos os detalhes estavam fresquinhos na memória; mas o filme é simplesmente apático, sem a menor graça e não possui o menor timing cômico. Já o livro é extremamente saboroso, divertido e perspicaz.

Outro erro grave é mudar o foco principal. O livro é centrado na figura de Augusten (pseudônimo do autor do livro), e sua visão sobre as maluquices da mãe, a ausência do pai e as bizarrices da família que o adotou. Já o filme se centra mais na figura da mãe, que deveria ser uma coadjuvante. Porém a presença de Anette Bening reforçou a força da figura materna em detrimento da figura do filho no filme.

Este é o típico caso de um livro infinitamente superior ao livro, e uma decepção muito grande pela adaptação cinematográfica que desperdiça um elenco estelar (além de Bening temos Paltrow, Evan Rachel Wood, Alec Baldwin e Brian Cox) em meio a um roteiro pífio e sem inspiração em contraste com a luminosidade e sarcasmo delicioso do livro.

Notas: 8,5 (livro) e 4,5 (filme)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 25, 2008 .:::::. 3:50 PM

Oscar 2008: a premiação

Minha preparação para o Oscar 2008 foi melhor que a do Oscar 2007. Consegui assistir 20 filmes indicados esse ano, mais do que ano passado. Dos 20 não achei nenhum ruim, e apenas 3 não me agradaram muito.
Para muitos a premiação e a festa esse ano foi sem graça e previsível. Porém na minha opinião teve lá suas surpresas e minha torcida em algumas categorias deram resultado. Abaixo minhas impressões da festa de ontem:

- Alegria: em primeiro lugar ressalto a vitória mais do que merecida da canção "Falling Slowly" do pequeno mas notável "Once". Foi um prazer ver os atores do filme cantarem a música e a alegria genuína deles ao receberem o prêmio pela canção que compuseram. O discurso de ambos (o dela feito posteriormente e iniciativa do apresentador John Stewart de deixá-la voltar e agradecer) foi comovente e o prêmio mais do que merecido. Marion Cotillard também justamente premiada, abraçou Forrest Whitaker com uma emoção comovente. Outro prêmio merecidíssimo, apesar de Julie Christie merecer também. A trilha de "Desejo e Reparação" foi justamente premiada por sua genialidade. E os figurinos de "Elizabeth - A Era de Ouro" também foram justamente laureados.

- Surpresa: a maior da noite com certeza foi Tilda Swinton, atriz de qualidade que não era favorita, mas que na reta final acabou levando pra casa o BAFTA e o Oscar. Surpreendente também foi o aproveitamento 100% de "O Ultimato Bourne", que ganhou tudo em que estava indicado.

- Confirmações: As categorias vencidas por "Onde os Fracos Não tem Vez" já eram esperada, assim como a vitória de Diablo Cody em roteiro original para "Juno" e Daniel Day-Lewis como melhor ator por "Sangue Negro". "Ratatouille" também se confirmou como melhor animação e "Piaf" ganhou melhor maquiagem concorrendo com "Piratas do Caribe" e "Norbit"... Assim fica fácil.

- Considerações: no geral prevaleceu o favoritismo do filme dos Coen, que saíram com estatuetas de melhor filme, direção e roteiro; e Javier Bardem como coadjuvante por "Onde Os Fracos Não tem Vez". Particularmente achei "Juno" e "Desejo e Reparação" superiores, e ainda não consegui ver "Sangue Negro". O filme mais injustiçado foi "Na Natureza Selvagem", de longe o melhor da safra. Ressalta-se porém que o Oscar anda menos político e mais democrático, todos os filmes indicados na categoria principal foram feitos com pouco dinheiro e um deles era independente, confirmando a força do cinema-cabeça em detrimento do cinema-espetáculo que foi mais favorecido principalmente na década de 90.

Ano que vem tem mais...


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 24, 2008 .:::::. 5:54 PM

Elizabeth - A Era de Ouro (Melhor Atriz, Melhor Figurino)

A monarquia inglesa continua em sua saga no cinema, e quem volta a cena é a rainha Elizabeth, neste “Elizabeth – A Era de Ouro” (Elizabeth – The Golden Age, Inglaterra, 2007). Voltam para a continuação o mesmo diretor, a mesma atriz e o requinte da fita original. Porém o material aqui não é da mesma qualidade que seu antecessor.

Cate Blanchett continua perfeita no papel. Figurinos, direção de arte e maquiagem se mostram até mais ousados e refinados que o predecessor. Porém o que poderia ser uma continuação à altura do filme anterior acaba soando mais como uma reprise requentada sem o mesmo brilho e vigor.

O maior problema é o roteiro, que não sabe acertar o tom de narrativa e a direção burocrática de Khapur que insiste em filmar tudo demasiadamente em planos fechados. “Elizabeth – A Era de Ouro” tem um contexto histórico relevante, o da briga religiosa entre a então poderosa Espanha e a Inglaterra meio perigante de Elizabeth. A rainha da Escócia Mary (a ótima Samantha Morton, desperdiçada) é vista como uma possível sucessora de Elizabeth, por ser católica e possuir sucessores. Porém o argumento é pano de fundo, pois o foco principal são os questinamentos existenciais da rainha; que incluem desde o peso do poder até picuinhas com as subalternas.

E ao seguir por esse caminho, o filme perde força e se torna arrastado e cansativo. E Khapur não consegue esquentar os ânimos nem com as cenas de batalha, que filma de forma artificial e burocrática. Não é um filme ruim, mas poderia e deveria ser muito melhor; pois tinha potencial para tal. Salvam-se Blanchett e a parte técnica. O que não é o suficiente, mas ao menos conseguem segurar as pontas.

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:51 PM

Os Indomáveis (Melhor Trilha Sonora, Melhor Som)

Os faroestes voltaram com considerável força neste ano, e o que segue mais a risca os velhos padrões de antigamente é este “Os Indomáveis” (3:10 to Yuma, EUA, 2007), que se trata de uma refilmagem; e talvez por essa razão soe tão amarrado aos grandes filmes do gênero.

Esse é mais um filme competente de James Mangold, que continua em sua busca em se aventurar por mares sempre desconhecidos. Seu trabalho aqui se mostra mais uma vez muito consistente, maduro e elegante. A fita é bastante bem feita, tem um elenco talentoso (em especial a dupla central, os sempre ótimos Bale e Crowe) e uma trama bem amarrada.

Não é contudo um filmaço. Em certos momentos a fita perde um pouco o ritmo e a falta de ousadia não prejudica, mas também não ajuda. É um faroeste à moda antiga, bem realizado e chega até a empolgar em determinados momentos. Mas nada de excepcional, é um bom trabalho. Ponto.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 22, 2008 .:::::. 5:49 PM

Na Natureza Selvagem (Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Edição)

Quando um filme nos emociona e nos toca de um jeito muito forte, se torna até difícil resenhar sobre o mesmo. Porque a razão no momento de escrever se funde com a emoção causada por ele, causando uma certa sensação inebriante; dificultando assim a exposição de idéias com clareza. É um sensação raríssima, o de você assistir um filme que cause tal sentimento. "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild, EUA, 2007) causou-me, surpreendentemente aliás; porque dessa safra do Oscar 2008 não era nem de longe um dos que mais ansiava por ver.

E não gostei tanto do filme por me identificar 100% com os ideais do personagem central Chris, ou Alex em sua nova vida (defendido por um Emilie Hirsch magnético e sensacional). Não possuo talvez esse espírito tão aventureiro, ou tamanho desprendimento por bens materiais. Porém isso não me impediu de admirar a atitude do personagem, e o próprio roteiro se encarrega de debater sua visão um pouco inflexível e extremista do mundo com as pessoas que ele vai encontrando em seu caminho; e não ressalta tal visão como qualidade ou defeito, e sim como visão particular de mundo dele. "Na Natureza Selvagem" não tenta nos fazer compartilhar da visão de mundo dele, nos faz apenas conhecer seus ideais e pensamentos e nos faz admirar sua bondade e bom caráter.

A direção de Sean Penn é perfeita. A edição do filme é ótima. A trilha sonora mistura canções divertidas e climáticas com belas e originais canções de Eddie Vedder. A fotografia é deslumbrante. O elenco de apoio é soberbo, contanto com nomes talentosíssimos como William Hurt, Marcia Gay Harden, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn e o indicado Hal Holbrook.

"Na Natureza Selvagem" para mim é o melhor filme da safra do Oscar 2008 dos que vi até agora. Não irei ficar me lamentando, apontando injustiças e indicações que o filme deveria ter tido. É simplesmente um grande filme, belíssimo e perfeitamente realizado.

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:34 PM

Não Estou Lá (Melhor Atriz Coadjuvante)

O cinema pode e sempre deve experimentar, inovar, criar. "Não Estou Lá" (I'm Not There, EUA, 2007) é um desses filmes que vão fundo no intuito de fazer algo diferente, pouco usual. O diretor Todd Haynes (de "Velvet Goldmine" e "Longe do Paraíso") uniu a sua já compravada veia musical com uma colagem de imagens e sons que vão como um mosaico contruindo a trama, por menos linear que ela seja.

São visões e personagens distintos que de uma forma ou outra estão ligados ao universo do cantor Bob Dylan, grande nome da música folk e ídolo de toda uma geração. O viés mais interessante com certeza é o interpretado por Cate Blanchett, que discute com propriedade a questão dos rótulos que o mundo da música impõe sobre os artistas. A discussão sobre os rumos do folk e de sua importância enquanto um hino de rebeldia e um caminho alternativo para o público que via na música uma forma de se rebelar contra o sistema; e o da dificuldade do grande nome do movimento (Dylan) em tocar e cantar outras coisas sem ser acusado de traidor são questões muito bem abordadas neste segmento. Já os outros são bem mais abstratos.

O visual acachapante e a falta de linearidade e foco da trama não comprometeriam o resultado final de "Não Estou Lá" tivesse até uns 90 minutos de duração. Porém são mais de 2 horas de filme, e fica muito difícil acompanhar o ritmo do filme sem soltar um bocejos; porque não existe um elo de ligação, uma sequência narrativa. O filme é muito abstrato, calcado muito mais no visual do que na narrativa. E isso invariavelmente depois de um tempo de duração acaba cansando e deixando o filme com um ar de longo e monótono.

Um filme interessante, visualmente originalíssimo e repleto de boas sacadas. Talvez vá fundo até demais em sua ousadia, o que o torna um filme de difícil digestão. Mas é cinema originalíssimo.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 20, 2008 .:::::. 4:00 PM

Longe Dela (Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado)

Que Sarah Polley era uma boa atriz eu já sabia, o que não sabia era que além de atuar ela também consegue escrever e dirigir de forma mais do que satisfatória. "Longe Dela" (Away From Her, Canadá, 2006) parece até um filme dirigido por um veterano, tamanha sua classe e maturidade.

Essa questão do mal de Alzheimer não é novidade no cinema. Recentemente o filme "Diário de uma Paixão" tratou de tema de uma forma até que similar. Porém se lá a pieguice era a palavra de ordem e o filme exagerava no dramalhão; aqui temos uma elegância e uma forma muito mais sutil de retratar o drama de um casal de terceira idade (Julie Christie e Gordon Pinsent) que vêem sua relação de mais de 40 anos ainda sadia e apaixonada ser ameaçada pela doença.

O mal de Alzheimer pode não ser a mais mortal ou perigosa das doenças, mas certamente é a mais triste. Perder suas memórias, ver a história da sua vida simplesmente desaparecer e não ter a menor chance de recuperá-la é algo extremamente doloroso, tanto para a pessoa e muito mais para a sua família. É como se a pessoa deixasse de existir em vida. E tais sentimentos "Longe Dela" retrata de forma brilhante, dessa dificuldade de quem vê o seu ente querido, o seu amor de toda vida simplesmente se tornar outra pessoa, um estranho. A atuação soberba do duo central, uma Julie Christie maravilhosa (se ganhar o Oscar será merecido) e um Gordon Pinsent fantástico apenas dão fé e validam o roteiro impecável escrito por Polley.

Apesar de ter algumas ressalvas quanto a interação do personagem de Pinsent com a de Olimpia Dukakis, "Longe Dela" é um filme soberbo sobre o amor retratado em sua forma mais forte e incondicional. Um pequeno filme que merece ser visto e descoberto.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 19, 2008 .:::::. 5:43 PM

Once (Melhor Canção)

Dentre todas as cetegorias do Oscar 2008, a de melhor canção é aquela pela qual irei mais torcer; pois a única indicação de "Once" (idem, Irlanda, 2006) ao prêmio com a canção "Falling Slowly" é certamente a mais merecida dentre todas ao meu ver.

Esse pequenino filme, absolutamente despretencioso e simples é uma daquelas produções que te ganha pela honestidade, pela paixão que exala dos envolvidos no projeto. Os atores que formam o casal central (Glen Hassand e Markéta Irglóva, ambos sensacionais) refletem esse carisma natural que a produção consegue transmitir. Ambos cantam maravilhosamente, e sempre com extrema graça e simpatia vão conduzindo o filme com suas atuações soberbas.

Não existem muitas palavras que possam definir e qualificar um filme como este. Simplicidade é algo pertinente. Mas "Once" é muito mais do que isto. É um "romance" e uma história de amizade e paixão pela música que toca ao público por soar humana e universal. E a canção "Falling Slowly" é simplesmente apaixonante.

Nota: 9,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 18, 2008 .:::::. 5:32 PM

Conduta de Risco (Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Trilha Sonora)

Eu imaginava que este "Conduta de Risco" (Michael Clayton, EUA, 2007) não fosse um grande filme. Mas as 7 respeitáveis indicações ao Oscar, que incluem melhor Filme e Diretor me fizeram pagar pra ver. Paguei e não tive surpresa alguma.

Este filme pertence basicamente aquela classe de filmes de tribunal ou ações de classe, tipo "Norma Rae", "Erin Brockovich". O título em inglês por sinal já dá uma pista de que se trata do mesmo tipo de filme, mas que nunca se assume como tal. A ação de classe aqui não é o mote principal, mas apenas uma escada para os personagens envolvidos desenvolverem seus dramas. Temos a executiva perfeccionista da grande empresa (Tilda Swinton, sempre eficiente), o advogado maluco da empresa que resolve virar a casaca e começar a defender as pessoas que pleitearam a ação (Tom Wilkinson, outro bom ator) e o advogado bom de lábia capaz de consertar tudo, exceto sua vida pessoal (George Clooney, que particularmente considero um ator apenas regular).

O problema é que os personagens se desenvolvem até um certo ponto, e ai o mote da ação de classe que era mero coadjuvante assume o posto de centro das atenções. Porém ai já é tarde, pois a nigligência inicial do roteiro não tornam críveis os problemas, nem o das atitivdades ilícitas de grandes empresas em detrimento da saúde de quem estiver em seu caminho e muito menos o da corrupção no ramo da advocacia (que por sinal não é novidade alguma).

Não é um filme ruim. Os 3 atores seguram bem as pontas e conseguem dar vida a uma trama que começa muito confusa e aos poucos vai se clareando (tiro esse dado pelo roteiro que também não surte muito efeito, porque o roteiro em si é raso). A trama pode não ser muito profunda, mas ao menos o roteiro não tem furos e não apela para os clichês do gênero da ação de classe. Porém falta brilho ao filme, e outros superiores poderiam ter sido indicado em seu lugar. Mas George Clooney anda em alta...e até o diretor Tony Gilroy com azedume no Director´s Guild reclamou que a mídia está tão firme em elogiar o engajamento social e politizado do ator, que anda se esquecendo que ele não faz seus filmes sozinhos...

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:54 PM

Senhores do Crime (Melhor Ator)

Cronenberg se reciclou consideravelmente com o filme "Marcas da Violência", qua abandonava em parte a sua veia fisiológica e apostava mais em um estudo sobre a violência; de forma mais branda que o seu normal. Agora com "Senhores do Crime" (Eastern Promisses, Inglaterra/EUA, 2007), ele se aprofunda um pouco mais no estudo e de quebra trabalha com um roteiro menos apático e sem brilho do que seu filme anterior.

Mas mesmo assim, "Senhores do Crime" ainda é um filme limitado; que tem um bom argumento mas parece nunca se aprofundar e dar continuidade a suas idéias iniciais. A questão do tráfico sexual é absolutamente sugerida pelo roteiro, que em momento algum o cita ou trabalha de fato a problemática. Essa renúncia se dá em boa parte pela opção de apostar nas relações interpessoais dos personagens, em especial daquele vivido por Viggo Mortensen (em ótimo desempenho); que joga tanto do lado do bem (representado pela figura de Naomi Watts) quanto do lado do mau (a máfia russa representada por Vincent Cassel e o otimamente perverso Armin Mueller-Stahl).

No geral é um bom filme, que apesar de limitado consegue manter o espectador conectado com sua trama. Ressaltam-se a Londres obscura e cinzenta retratada pelo filme, a atuação precisa de Mortensen (justamente indicado ao Oscar) e a verve (ainda que em doses menores) animalesca de Cronenberg, que filme uma cena de luta com três homens que parecem mais três animais primitivos lutando pela sobrevivência.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 14, 2008 .:::::. 5:08 PM

Sweeney Todd (Melhor Ator, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte)

Tim Burton é um dos meus diretores favoritos. Porém o estilo dark e sombrio que permeiam boa parte de sua carreira não é exatemente a sua maior qualidade (meu filme preferido dele é "Peixe Grande") em minha opinião; mas sim a sua maneira de tratar o diferente e o bizarro com uma naturalidade ímpar. "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da rua Fleet" (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007) é mais um filme que traz esse lado gótico e dark do diretor, porém com a diferença de que agora Burton está por trás de um musical.

"Sweeney Todd" é um musical daqueles que tem 80% dos diálogos cantados, o que não chega a ser um defeito; mas invariavelmente cansa um pouco o espectador. Aqui o problema é ainda um pouquinho maior porque muitas músicas se repetem. Por outro lado o filme enche os olhos em termos técnicos, com direção de arte primorosa, figurinos idem e trilha muito grandiosa e empolgante.

A trama foca basicamente os personagens de Depp (em bom desemprenho e cantando muito bem) e Helena Bonham Carter (que não canta lá muito bem, mas está luminosa em cena e é dona dos melhores momentos). Todos os demais personagens são meros adornos que Burton e o roteiro de John Logan não exitam em utilizar e descartar sempre visando os personagens centrais, em especial o barbeiro Todd e seu desejo de vingança. Os personagens são bem construídos e delineados, o babeiro Todd é frio e vislumbra apenas a vingança como objetivo de vida; já a viúva Lovett faz piada de sua desgraça e vê em Todd uma chance de poder melhorar e alegra sua vida.
Porém nada impediria que os personagens coadjuvantes tivessem mais chances dentro da trama.

Basicamente "Sweeney Todd" encanta por sua beleza visual e carisma dos atores centrais, e cansa por as vezes se repetir demais nos diálogos e nas situações envolvendo a dupla central. Fazer um musical é sempre uma aposta corajosa e um desafio para qualquer cineasta. Tim Burton comprova seu talento e reafirma seus votos com seu estilo gótico; realizando um bom filme. Mas não apaixonante.

Nota: 8,0

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 13, 2008 .:::::. 5:31 PM

Onde Os Fracos Não tem Vez (Melhor Filme, Diretor, Roteiro Daptado, Ator Coadjuvante, Fotografia, Edição, Som e Edição de Som)

Sabe aquela sensação estranha de que só você não gosta de uma coisa, ou que não gosta "o tanto quanto deveria" de algo? Pois é, eu posso dizer que me sinto assim em relação aos irmãos Coen. Até hoje não assisti nenhum filme deles que me causasse essa adoração que muitos tem pela obra dos irmãos. Assisti "Onde Os Fracos Não tem Vez" (No Country for Old Men, EUA, 2007) com a expectativa de finalmente em embriagar pelo talento deles, tamanha a força do filme na temporada tanto entre crítica quanto entre o público. Não foi desta vez...

Devo logo de saída ressaltar que "Onde Os Fracos Não tem Vez" é realmente um filme bom. E dos que ví dos Coen até hoje é o melhor. A trama começa muito bem e segue um ritmo muito bom até o terço final, onde a marca dos irmãos Coen está absolutamente visível; e é justamente essa marca que eu não consigo entender porque tanta gente gosta. Criativos os Coen são, seus filmes tem sempre um visual arrojado e idéias interessantes. Mas eles parecem que gostam de concluir seus filmes sempre de maneira morna. Falta no meu ponto de vista paixão, emoção. Suas obras são sempre interessantes, mas parece que nunca se completam de fato, a premissa interessante sempre é abortada em favor de longos discursos e conclusões elegantes, porém insossas.

Mas como eu já disse anteriormente o filme é bom, em algums momentos ele é muito bom. As indicações ao Oscar de fotografia e edição são justas e o filme lembra um pouco o clássico "O Homem que Matou o Facínora" (um crítico do site Omelete comparou o personagem de Bardem com Liberty Vallence). Aqui a história é mais engenhosa e o ar mais elegante. Porém lá as emoções não eram reprimidas e o filme não tinha medo de se concluir de forma calorosa.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:24 PM

O Caçador de Pipas (Melhor Trilha Sonora)

Adaptar um livro comum é uma coisa. Adaptar um best-seller mundial é outra completamente diferente. Um livro do porte sempre é recebido com expectativas nas alturas pelos fãs do livro, e cada detalhe é obeservado. Portanto é preciso muito peito para levar um projeto do nível adiante. Ano passado dois nomes de peso no cinema tentaram a sorte, Ron Haward com o muito criticado "O Código DaVinci" e Tom Tykwer com "O Perfume", que dividiu opiniões. Agora é o telentoso Marc Forster que dá a cara a tapa com "O Caçador de Pipas" (The Kitte Runner, EUA, 2007).

Bom, eu particularmente li três quartos do livro. Parei de ler não exatamente pelo fato de eu não estar gostando (pelo contrário, achei a narrativa boa e alguns personagens bem interessantes), mas pelo fato de o livro ser um pouco maniqueísta; ele é tão dramático que chega a causar um certo desconforto. O filme por outro lado é bem menos apelativo neste sentido, e a elegância da condução da trama por Forster é muito bem-vinda.

O porém é que o filme não consegue impor tal elegância de forma totalmente satisfatória. A questão social pincelada no livro praticamente desaparece no filme, que se foca exclusivamente nos personagens e seus dramas e deixa todo um contexto interessantíssimo de imposição do regime do Talibã e diferenças étnicas de lado. Ao invés de se aprofundar no que o livro já tinha mencionado, o filme anula ainda mais essas questões.

De qualquer forma é um filme agradável de ser visto, a trilha sonora é realmente muito boa e incrivelmente heterogênea, os atores foram bem escolhidos e a coragem de filmar boa parte do filme em sua língua de origem é louvável.

Nota: 7,5

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 7, 2008 .:::::. 4:54 PM

O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Fotografia)

Este filme, a começar pelo título "O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" (The Assassination of Jesse James by the coward Robert Ford, EUA, 2007) é extremamente ousado e descaradamente anti-comercial, mesmo contando com um astro como Brad Pitt a frente de seu elenco. São 160 minutos de duração, raríssimas sequências movimentadas e uma história que apesar de possuir um narrador onisciente, não é exatamente linear ou de fácil absorção.

Tais afimações feitas acima podem ou não ser consideradas como elogios. Tudo depende de como o material é tratado por seus realizadores. Aqui existem pontos positivos e negativos;e embos pesam muito sobre as considerações a respeito do filme. A fotografia indicada ao Oscar é realmente merecedora da vaga. Belíssima. Cenários, figurinos e trilha sonora também tem muitas qaulidades. O elenco coadjuvante encabeçado pelo indicado Casey Affleck (em ótimo desempenho) e outros atores talentosos como Mary-Louise Parker, Paul Schneider, Sam Rockwell e Sam Shepard também é um ponto muito positivo.

Porém o grande problema do filme é o roteiro, que mostra uma coisa durante quase toda a duração do filme e depois sugere outra em seu final. O grande X da questão se resume na figura de Jesse James. Dentro do universo do filme existem algumas sugestões de que a figura do assaltante e assassino era bem vista pelas pessoas, já que até histórias sobre ele eram escritas. Porém a atuação de Pitt e o roteiro em si não o tornam uma figura ambivalente como ela deveria ser; onde o bandido apesar de ser frio, calculista, autoritário e até um pouco paranóico, também deveria conter traços de simpatia, carisma, bom-humor. Mas na tela tudo que se vê são defeitos e nulas ou raras qualidades; o que torna infundado todo o questionamento de Bob Ford no final do filme. Somado a isso, os 160 minutos custam a passar.

Resumidamente o filme é até interessante e muito bem feito. Porém essa ousada investida de Andrew Dominik pelo gênero dos western contabiliza erros e acertos em proporções quase idênticas. Com bom vontade (em especial pela coragem de se fazer algo tão pouco comercial e pro sua beleza visual) chega a ser possível gostar e apreciar o filme, mas que os defeitos existem, existem.

Nota: 6,5



TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 1, 2008 .:::::. 4:59 PM

O Gângster (Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Arte)

Depois de "O Poderoso Chefão", alguns cineastas de talento se aventuraram na difícil tarefa de revisitar o gênero de filmes de gansters. Scorsese já o fez em "Os Bons Companheiros" e Brian de Palma em "Os Intocáveis". Agora chegou a vez de Ridley Scott, que o faz com extrema competência em "O Gângster" (American Gangster, EUA, 2007), que é uma produção ousada e baseada em fatos reais.

Acho que o ponto mais importante na minha opinião a ser abordado sobre o filme é que ele apesar de um pouco longo, é muito mais objetivo e dinâmico que os seus antecessores consgrados; o que ressalta a versatilidade e habilidade de Scott em lidar com materiais diversos. A história verídica do americano Frank Lucas (Denzel Washington), que ascendeu ao poder do tráfico de heroína ao buscar diretamente no Vietnã a matéria-prima para a confecção da mercadoria a ser vendida nas ruas; que além de mais barata que o normal era mais potente que as similares no mercado. Após a venda do primeiro lote, Lucas se tornou um chefão poderosíssimo e milionário. Porém ao seu encalço, o policial Richie Roberts (Russell Crowe) famoso por sua honestidade, não deixará se corromper pelo velho esquema polícia+traficantes = lucro para ambas as partes.

Interessante também é o contraponto de personalidades dos protagonistas. Lucas é um assassino frio, um rei do tráfico de drogas; um bandido, simplificando. Porém era um homem discreto, muito apegado e honesto com a família, fiel a esposa e um cristão devoto e caridoso. Já Roberts era um policial honesto, capaz de devolver uma bolada e ainda ser recriminado pelos próprios colegas; um cara que vivia rigorosamente dentro da lei. Contudo era negligente com o filho e com a ex-mulher, a quem vivia traindo. São opostos, que ressaltam o quanto as pessoas são complexas e com possibilidades de atitudes distintas nas mais diversas ocasiões.

No geral é um ótimo filme, que tem um elenco esforçado (apesar dos exageros clássicos de Washington e da supervalorização de Ruby Dee, indicado ao Oscar como a mãe de Lucas). É como todo filme do gênero, muito grandioso; porém mais objetivo e dinâmico que o habitual. Não chega a ser um filme inesquecível, mas é cinema de indiscutível qualidade.

Nota: 8,5

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 29, 2008 .:::::. 3:56 PM

Juno (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original)

Novamente um filme independente e de baixo orçamento chega as finais do Oscar, e "Juno" (idem, EUA, 2007) larga em desvantagem na corrida ao Oscar 2008 por ser invariavelmente comparado com "Pequena Miss Sunshine", sucesso do ano passado e que possui o mesmo tom ácido/cômico utilizado por "Juno". Porém não vale a pena ficar comparando um filme com outro, afinal são filmes diferentes e anos diferentes.

"Juno" é um filme que logo de cara parece um pouco forçado. Ellen Page e seu estilão meio indie e sarcástico soam meio forçados a primeira vista. Porém a atriz vai aos poucos conquistando o caração do espectador e revelando facetas que vão muito além das impressões iniciais. Sua Juno McGuff é uma figura única, muito interessante e divertida. Aliás se existe uma grande diferença entre "Juno"e "Pequena Miss Sunshine" é que Juno é a grande e principal personagem aqui, enquanto que no Miss Sunshine as atenções eram mais divididas. Além do grande trabalho do Page, o roteiro de Diablo Cody e a direção de Jason Reitman (do também ótimo "Obrigado por Fumar") merecem créditos.

Outro ponto marcante é que "Juno" é um filme bem leve e descontraído, apesar de lidar com temas espinhosos como aborto e adoção. É um filme bem espirituoso, gostoso de assistir e muito simpático. E é mais uma prova de que o cinema independente está realmente em alta.

Nota: 8,5

Visto onde: Multiplex Catuaí em Pré-estréia (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 28, 2008 .:::::. 5:33 PM

Desejo e Reparação (Melhor Filme, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Direção de Arte, Fotografia e Figurino)

A verdade e suas diferentes formas de interpretação são o mote principal de "Desejo e Reparação" (Atonement, Inglaterra/EUA, 2007), um dos filmes mais premiados e comentados do ano. Baseado no romance de Ian McEwan, a produção dirigida pelo cada vez melhor Joe Wrigth (de "Orgulho e Preconceito") é um filme extremamente bem feito, visualmente impecável e conta com uma história envolvente e emocionante.

São vários os pontos a favor desta bem sucedida adaptação. A personagem Briony é absolutamente bem delineada e defendida com êxito por três atrizes diferentes (Saorsi Ronan, Romola Garai e Vanessa Redgrave), as idas e vindas do roteiro não são prejudiciais ao ritmo da trama, algumas cenas (como a já famosa tomada da guerra, que dura mais de 7 minutos) são soberbas e grandiosas e esteticamente a direção de arte e a trilha sonora em especial são notáveis.

Porém existe aqui um efeito colateral na construção da trama. Obviamente que a grande personagem tanto do romance quando do filme é Briony. Porém o filme tenta nos vender uma imagem de que o par romântico tem mais importância na tela do que realmente tem. James McAvoy está muito bem, e tem mais chances do que Keira Knightley, que pouco tem a fazer com sua Cecília. Talvez o roteiro descuide um pouco do casal, não invista tanto quanto deveria em seu romance para que ele se torne mais crível ao espectador. E por consequência mais dramático e trágico pelas circunstâncias que se seguem.

É contudo um belo filme. Bem dirigido, bem produzido, um belo roteiro e um show de três atrizes defendendo uma personagem marcante.

Nota: 8,5

Visto onde: Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:08 PM

Piaf - Um Hino ao Amor (Melhor Atriz, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem)

As cinebiografias de figuras consagradas da música continuam em alta, e rendendo aos seus protagonistas uma chance única de atuar, cantar e emocionar. Esse é o ano e vez de Marion Cotillard, a bela atriz francesa que encarna com graça e competência a lenda francesa Edith Piaf no filme "Piaf - Um Hino ao Amor" (La Momê, França, 2007).

Como de costume, a vida dos ícones musicais é sempre cheia de altos e baixos, problemas com drogas e álcool, desilusões amorosas... "Piaf" tem tudo isso, e Marion Cotillard aproveita cada segundo com uma vontade e uma garra tão grande; que é possível até fechar um pouco os olhos para a maneira burocrática que o filme conduz a história da cantora. A montagem cheia de idas e vindas é sempre um recurso que produções quadradas tentam utilizar para tentar dar agilidade a trama; o que não é o caso aqui. "Piaf" é inegavelmente um filme bonito, e presta uma justa homenagem a cantora. Porém é longo demais, um pouco monótono e burocrático em sua condução.

No mais "Piaf" tem um bom trabalho de figurinos e maquiagem, e utiliza as músicas da cantora com maestria dentro da trama e seu contexto. A bela atuação de Marion Cotillard também ressalta o bom trabalho da produção, que apesar de quadrada é muito caprichada visualmente e impecável dramaticamente pelo talento da protagonista.

Nota: 7,5

Visto onde: Gemini (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 25, 2008 .:::::. 5:07 PM

No Vale das Sombras (Melhor Ator)

Está virando quase que um gênero cinematográfico o assunto da ocupação americana no Iraque. No ano passado foram vários filmes que dissertaram sobre os efeitos que a ocupação causos na sociedade americana. "No Vale das Sombras" (In the Valley of Elah, EUA, 2007) poderia ser apenas mais um, porém é um drama absolutamente abrangente não apenas sobre a questão em foco em si; mas sobre as minúcias e complexidade dos personagens retratados.

O trio central está absolutamente brilhante (em espcial Tommy Lee Jones, justamente indicado ao Oscar) e defende os personagens criados pelo oscarizado Paul Haggis de forma íntegra, entendendo a proposta de não pintar os personagens ou só de preto ou só de branco; mas sim repletos de particularidades, qualidades e defeitos.

A trama vai se desdobrando de uma forma hipnótica, e com ela toda uma crítica e uma síntese sobre a ocupação americana no Iraque se forma. É uma análise profunda, madura, abrangrente e extremamente inteligente. Em minha opinião é um dos melhores filmes de 2007 e merecia mais chances no Oscar.

Nota: 9,0

Visto onde: Frei Caneca Unibanco Artplex (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:05 PM

Ratatouille (Melhor Filme Animação, Roteiro Original, Trilha Sonora, Som e Edição de Som)

A Pixar vem ano após ano invertendo uma máxima que o mercado (em especial a sua parceira e distribuidora Disney) impunha: o de que um filme de animação deveria agradar as crianças em primeiro lugar, e num segundo plano os adultos; caso fosse possível. "Ratatouille" (idem, EUA, 2007) é um filme que agrada primeiramente os adultos, e por tabela as crianças também.

Tal quebra de conceito é no mínimo uma tarefa complexa e arriscada, porém inteligente; pois os pais invariavelmente tem que acompanhar os pimpolhos nas sessões. E se o filme agrada ambos os públicos, maiores as chances de sucesso. Este não foi exatamente o caso de "Ratatouille", talvez o filme mais adulto da Pixar. Foram 200 milhões de bilheteria nos EUA, quantia apenas mediana para um filme com a marca Pixar. Mas as 3 indicações ao Oscar comprovam que a qualidade e empatia com o público adulto (em especial com a crítica) atingiu um nível altíssimo.

"Ratatouille" é um desenho ousado, a começar pelo título. Conseguir transformar um rato numa figura empática não é difícil, mas conseguir fazer com que achemos normal um animal considerado sujo se tornar um chef de cozinha; isso sim é complexo. E a Pixar conseguiu mais uma vez acertar o alvo. Existe no roteiro discussões sobre habilidades e talentos individuais, realização pessoal e profissional, competitividade e outros assuntos complexos, que muitas vezes dramas e filmes em tese mais profundos que um desenho não são capazes de abordar.

Mas se "Ratatouille" tem um defeito, ele é quase que um efeito colateral de sua aposta ousada. Ao acompanharmos todo o desenrolar soberbo e inteligente da trama, o seu desfecho soa um pouco fácil demais; o que é absolutamente normal e compreensível, pois se trata de uma animação e o público infantil não pode ser negligenciado numa produção da marca Disney. É um paradoxo, e quase não chega a ser um defeito. É apenas uma constatação de que a Pixar está tão afiada, que está deixando o paladar dos cinéfilos cada vez mais aguçado.

Nota: 8,5



TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 24, 2008 .:::::. 4:58 PM

O Ultimato Bourne (Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som)

Não se tem muito o que falar sobre este "O Ultimato Bourne" (The Bourne Ultimatum, Inglaterra/EUA, 2007). Certamente é um dos melhores filmes do ano, fechando (até onde se sabe) uma trilogia vencedora (que começou mediana com o Identidade e melhorou muito com Supremacia) de forma absolutamente impecável. É um filme inteligente, rápido, ágil, tenso e hipnótico.

Méritos para Paul Greengrass, que mais uma vez mostra que é um diretor do mais alto gabarito; e Matt Damon, que continua em boa fase e entregando atuações consistentes e eficientes. O elenco de apoio aqui também é ótimo, e as indicações ao Oscar são merecidas; principalmente a de Edição.

007 que me desculpe, mas Jason Bourne é o cara!

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:32 PM

Across the Universe (Melhor Figurino)

Fazer um musical baseado em músicas do Beatles é ao mesmo tempo uma idéia genial, pela qualidade e variedade de músicas que são verdadeiros clássicos, e ao mesmo tempo arriscada, pelo complexidade de construir todo um roteiro a partir de músicas avulsas; sem uma base sólida.

A tarefa contudo foi realizada com êxito pela diretora Julie Taymor (a mesma de Frida), que conseguiu dar vida e paixão a "Across the Universe" (idem, EUA, 2007). Acostumada com direções na Broadway, a diretora conseguiu coordenar e tornar linear a história de amor de Jude e Lucy (Jim Sturgees e Evan Rachel Wood) e deixou transparecer a paixão dos envolvidos no projeto, construindo um mosaico de cores, sons e formas.

Aliás, se "Across the Universe" é um bom filme, muito se deve ao visual arrebatador do filme, que utiliza um mundo de cores e estilismos fantásticos para compor seu enredo. A criatividade de certas cenas é inspiradora, e um prazer imenso de ser visto na telona. A músicas dispensam comentários, e os figurinos indicados ao Oscar também são muito bem feitos. O roteiro não é realmente o ponto forte do filme, que é muito longo e existe uma clara e compreensível dificuldade de dar liga aos fragmentos. Chega um certo momento onde o filme fica um pouco arrastado, lento demais.

Porém apesar dos problemas acho que é um filme que merece créditos pela ousadia, pelo visual arrebatador e pela visível paixão dos envolvidos. Não é um filme perfeito, dramaticamente ele pode ser falho; mas é criativo e corajoso. E isso é artigo raro no cinema atual.

Nota: 8,0

Visto onde: Frei Caneca Unibanco Artplex (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 18, 2008 .:::::. 4:50 PM

Melhores e Piores 2007

Abaixo a minha lista de melhores e piores filmes que estrearem no Brasil de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2007.

Melhores filmes:

1- Zodíaco
2- Mais Estranho que a Ficção
3- Extermínio 2
4- O Ultimato Bourne
5- No Vale das Sombras
6- O Preço da Coragem
7- A Vida dos Outros
8- Pecados Íntimos
9- Encontros ao Acaso
10- Hairspray


Melhores Atores:

1- Will Farrell (Mais Estranho que a Ficção)
2- Patrick Wilson (Pecados Íntimos)
3- Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
4- Christian Bale (O Sobrevivente)
5- Ulrich Mühe (A Vida dos Outros) e Wagner Moura (Tropa de Elite)

Melhores Atrizes:

1- Angelina Jolie (O Preço da Coragem)
2- Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
3- Charlize Theron (No Vale das Sombras)
4- Ashley Judd (Encontros ao Acaso)
5- Kate Winslet (Pecados Íntimos) e Maggie Gylleanhaal (Mais Estranho que a Ficção)

Melhores Diretores:

1- David Fincher (Zodíaco)
2- Marc Forster (Mais Estranho que a Ficção)
3- Michael Winterbottom (O Preço da Coragem)
4- Paul Haggis (No Vale das Sombras)
5- Paul Greengrass (O Ultimato Bourne)

Piores Filmes:

1- Motoqueiro Fantasma
2- Premonições
3- A Colheita do Mal
4- Número 23
5- A Estranha Perfeita


TIAGO HENRIQUE MELO .


Setembro 14, 2007 .:::::. 4:28 PM

Cinema: P de Pânico!!! Possuídos e Paranóia na telona!

Seguem abaixo resenhas sobre dois filmes recentes que lidam com o fator psicológico, cada um a sua maneira.

Possuídos

Este filme do renomado diretor William Friedkin (o mesmo cara que realizou o clássico dos clássicos "O Exorcista") é basicamente um estudo psicológico bastante orgânico e simplório sobre como a falta de uma estrutura emocional (sempre acarretada por traumas, tragédias e perdas) pode levar uma pessoa a buscar em situações insólitas e irreais a solução para seus problemas.

É isso o que acontece com Agnes (a linda Ashley Judd em uma atuação cheia de altos e baixos), uma mulher muito infeliz, perseguida pelo ex-marido violento. Trabalhando numa espelunca e morando numa espelunca, ela não tem nenhum propósito de melhorar de vida. O ideal é apenas beber, fumar, e levar sua vida sem maiores tragédias. Mas tudo muda com a chegada de Peter em sua vida, um homem soturno que incia um relacionamento com Agnes e aos poucos vai revelando facetas paranóicas ao insistir que insetos estão presente em seu sangue.

A partir disso Friedkin leva essa paranóia inicial ao extremo, e confere um ar de loucura a "Possuídos". Algumas situações de tão absurdas chegam a provocar risos nos espectadores, devido ao caráter extremamente insano e doentio dos personagens. O filme contudo tem algumas falhas e poderia ser melhor construído se o roteiro soubesse explorar melhor certas situações, e se a personagem Agnes se deixasse levar pela loucura de uma forma mais gradativa.

No geral é um filme que incomoda, tem um ar de bizarro e um quê de trágico-cômico. Porém é um exercício e um esforço basicamente de atores (Judd e Michael Shannon) que dão o sangue para que uma neurose ganhe escopo e dramaticidade.

Nota: 7,5


Paranóia

Já este é um filminho beeem mais leve, mas que não deixa de tratar de questões psicológicas, de como o meio ou uma situação pode mudar o comportamento e até o bom senso das pessoas. "Paranóia" basicamente se espelha no clássico "Janela Indiscreta" para compor seu enredo. Na trama um rapaz em regime de prisão domiciliar (Shia LeBouf) começa a desconfiar que seu vizinho da frente tem algo a ver com os assassinatos em série que andam ocorrendo; e paralelamente inicia um flerte à distância com sua nova (e gatinha) vizinha.

A verdade é que "Paranóia" até que começa bem, contextualizando a situação e demonstrando a dificuldade de se manter preso numa residência por mais de 24 horas. Porém o grande pecado do filme é o de tentar manter a questão da dúvida sobre o vizinho por muito tempo. Ao optar por isso, a fita perde ritmo e ganha em situações tolas (o amigo nerd japonês do protagonista é dispensável), piadinhas manjadas e um romance teen muito mal dosado.

Somente nos 20 minutos finais é que "Paranóia" resolve resolver a questão de 1 milhão de dólares e injetar um pouco de ação a trama insípida. Porém, ai já é tarde demais...

Nota: 6,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Julho 13, 2007 .:::::. 10:37 AM

TV: Made (MTV)

Alguns reality show´s não servem para absolutamente nada, outros são apenas engraçados, e outros apresentam um retrato interessante das pessoas e de uma sociedade de modo geral. É o caso do "Made" que é produzido pela MTV americana e exibido aqui no Brasil pela MTV nacional.

A verdade é que esse "Made" não tem lá grandes intenções de provocar estudos sobre comportamento ou algo parecido. É apenas um programinha leve, que tem o intúito de entreter as pessoas e passar uma liçãozinha de moral e superação ao seu final. No programa, jovens tentam alcançar objetivos díspares, tentam conseguir realizar sonhos ou simplesmente assumir um novo perfil. Eu já vi programas onde por exemplo uma garota queria entrar para um show da Broadway, o que é bacana. Mas na maioria das vezes o "Made" retrata um desejo do jovem americano muito nítido: o de se enquadar no perfil considerado ideal, o de se ajustar. Ser igual é bom, ser diferente é ruim.

São vários programas onde os diferentes (gordinhas, meninas despojadas, caras engraçados e meio malucos, o fortão caipira, o roqueiro) tem se tornar os iguais e queridos pelos iguais, desejando se tornar o rei ou rainha do baile de formatura, se tornar miss, modelo, ter aulas de etiqueta... Enfim, os jovens buscam maneiras de anular aquilo que eles tem de mais particular, único; e motivo pelo qual certamente a MTV os escolheu para participar do programa.

É um paradoxo, e também uma radiografia de uma sociedade que impõe valores tão sufocantes que fica difícil se tornar único.


TIAGO HENRIQUE MELO .


Julho 4, 2007 .:::::. 4:58 PM

Literatura: libelos contra o sistema opressor

São poucos os livros que, se pararmos para pensar, dialogam com a questão da opressão; da tentativa de barrar aquilo que o ser humano tem de mais único e individual: pensar e raciocinar por si só. Portanto é insprescindível para qualquer pessoa antenada com o mundo e fã de literatura de qualidade a leitura de duas das obras mais relevantes nesse sentido: "1984" e "Fahrenheit 451".

Vou começar falando sobre o melhor e mais famoso. "1984" do genial George Orwell (autor do igualmente brilhante "A Revolução dos Bichos") é uma obra muito difícil de ser digerida. Orwell traça um panorama muito apavorante sobre uma sociedade controlada por câmeras de tv, microfones e um governo massacrante, totalitário e autoritário. A sociedade está dividida em blocos, e apenas o povão é liberado em parte das regras duríssimas impostas pelo governo. No mais todos são fiscalizados e obrigados a aceitarem e idolatratem o que lhes é imposto.

Obras como "1984" nos fazem refletir sobre a importância da individualidade, de formarmos opinião própria sobre qualquer assunto. Portanto a narrativa fluente e extremamente politizada de Orwell criam um retrato cruel e devastador que não por acaso é um dos mais influentes e elogiados livros do século XX.

Já "Fahrenheit 451" do americano Ray Bradbury não chega a ter o mesmo impacto e profundidade da obra Orwell. Porém tem o seu valor e a sua relevância. Basicamente o livro é muito bom, Bradbury revela-se um poeta ao jogar com a questão da importância do conhecimento; a relevância que os livros tem em nossa vida, a forma como eles nos fazem pensar, raciocinar, e entender melhor o mundo.

A obra só peca por não ser fluente em sua história, na composição dos personagens e do cenário envolto na trama. Parece que não flui com clareza alguns detalhes como o sabujo, as telas que conversam com as pessoas; umas viagens tecnológicas que Bradbury propõe; mas que são difíceis de ser idealizadas ou imaginadas. E quando um autor não consegue fazer com que o leitor não consiga vizualizar aquilo que ele está descrevendo, algo está errado.

Enfim, são dois clássicos da literatura mundial que dialogam com valores grandiosos como liberdade, individualidade, conhecimento, cultura. E por esse motivo são indispensáveis.

Nota: 9,5 (1984) e 8,0 (Fahrenheit 451)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Abril 9, 2007 .:::::. 5:08 PM

Literatura O Estranho Caso do Cachorro Morto

Ler é sempre necessário. Mas existem diversos tipos de leituras. A divertida, a aborrecida, a técnica, a intelectual demais... "O Estranho Caso do Cachorro Morto" de Mark Haddon é uma espécie de litaratura rara: aquela que é intelegente, substâncial e absolutamente prazerosa. Tudo ao mesmo tempo.

O universo de um garoto autista é retratado pelo autor sem pieguice, desvinculado de dramaticidade barata e clichês. Christopher Boone, o personagem principal, é autista sim; mas vai muito além disto. Ele é esperto, enigmático, cheio de manias, perpicaz...

Apenas por conseguir este feito o autor já merece todos os créditos. Mas ele vai além, e cria uma história intrigante, comovente e deliciosa. Não deixe de ler esse livro maravilhoso, que de forma simples consegue entreter e nos faz enxergar o mundo de uma forma estranhamente nova.

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 9, 2007 .:::::. 5:49 PM

Dreamgirls (Melhor Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Direção de Arte, Canções, Figurino e Som)

Hoje comparar os novos musicais com os dois filmes que revitalizaram o gênero no cinema ("Moulin Rouge" e "Chicago") é chover no molhado. "Dreamgirls - Em Busca de um Sonho" (Dreamgirls, EUA, 2006) é a grande vedete do ano para o gênero. Parecia que o filme ia arrebentar no Oscar, por ter ganho 3 Globos de Ouro e tudo mais... Mas o que se viu foram 8 indicações sim (onde 3 são para a mesma categoria, a de canção), porém nenhuma para os prêmios principais.

E a Academia acertou em não exaltar muito "Dreamgirls". Não que o filme seja ruim, longe disso. Existe todo um cuidado técnico, um recriação da época muito bem feita e elgantes, bons números musicais, parte do elenco de sai muito bem e a direção de Bill Condon é segura. O problema do filme é o roteiro, que é exageradamente clichê e sem um pingo de inovação. Na primeira metade do filme a história até que flui bem, mas do meio em diante o filme se torna muito cansativo, exageradamente cantado e repleto de diálogos muito pomposos e situações previsíveis.

O elenco obtêm resultados distintos. Jaime Foxx não está nada bem. Beyoncé até que se esforça e entrega uma atuação razoável, Eddie Murphy está muito bem e Jennifer Hudson exagera um pouco no tom, apesar de ter boa presença. Como o elenco, o filme é cheio de qualidades e defeitos. "Dreamgirls" é um bom musical. Nada além disto.

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 8, 2007 .:::::. 10:59 AM

A Rainha (Melhor Filme, Diretor, Atriz, Roteiro Original, Figurino e Trilha Sonora)

A aristocracia sempre esteve presente no cinema. É de perder de vista o número de vezes que reis, rainhas, princesas e etc. já estiveram presentes em filmes. Mas "A Rainha" (The Queen, Inglaterra, 2006) é diferente por primeiro retratar a vida (ou parte dela) de um monarca contemporâneo, e segundo por este monarca ainda estar vivo.

O filme todo gira em torno da morte da princesa Diana e da postura da família real britânica, em especial da rainha Elizabeth II (uma impecável Helen Mirren), para com o fato; além do embate travado entre o povo contra a frieza da família real, que teve de ser auxiliada policamente pelo então recém-eleito primeiro ministro Tony Blair (Michael Shenn).

O roteiro enxuto de Peter Morgan e a direção do sempre ótimo Stephen Frears são precisos, mas não conseguem fazer com que "A Rainha" deixe de se tornar um filme um pouco limitado demais. Explorar este espisódio em especial não deixa de ser uma proposta interessante, mas deixam o filme preso demais num assunto que, se analisado por quem não é britânico e não se descabelou por Diana, soa um pouco superficial demais.

"A Rainha" também opta por confrontar o estilo antiquado e formal da família real contra a jovialidade de Tony Blair, que no filme falta apenas ter asas de tão bondoso que é. O roteiro só acerta em cheio mesmo ao discutir a figura de Elizabeth II e torna-la mais humana. Apesar da frieza e dureza, o filme abre espaço para que Helen Mirren saiba explorar também o lado mais suave da rainha, sua forma de agir influenciada pela ascenção muito cedo ao poder, sua criação formal, sua coragem ao dar o braço a torcer e se curvar ao povo e sua adoração por Diana (que notadamente sempre foi seu desafeto) mesmo com parte de sua família lhe dizendo para se manter fria e neutra.

No geral é um filme interessante, mas um pouco decepcionante (talvez pelo fato de ter recebidos tantas e importantes indicações ao Oscar e outros prêmios). De qualquer forma vale pela análise do comporotamento de Elizabeth II, interpretada com precisão e força por uma já quase oscarizada Helen Mirren.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 10:12 AM

À Procura da Felicidade (Melhor Ator)

Esse "À Procura da Felicidade" (The Pursuit of Happyness, EUA, 2006) é o típico filme cheio de clichês e lições de vida que o público adora e a crítica detesta. Mas alguns elementos tornam esta fita mais digna do que a maioria produzida no mesmo estilo em Hollywood, e talvez por isso até a crítica tenha sido em grande parte favorável a este trabalho de Gabriele Muccino.

A verdade é que o filme é inteligente ao nos fazer torcer pelo personagem Chris Gardner (um aplicado Will Smith), que sofre todo tipo de revezes do destino até conseguir dar a volta por cima. Muccino não mede esforços para que a platéia se identifique com o personagem, que torça e se emocione por ele; o que faz com que se torne uma tarefa impossível não gostar (pelo menos um pouco) do filme.

Porém ao carregar o filme de dramas e situações adversas, o diretor italiano deixou um pouco de lado a batalha do personagem em relação a seus estudos e ambições profissionais. Tudo é apenas pincelado, Muccino em momento algum tenta aprofundar-se no compo profissional de Chirs Gardner; e utiliza a velha fórmula das frases explicativas no final do filme para contextualizar a virada e posterior sucesso profissional do personagem, que chegou a se tornar milionário. Talvez se o diretor tivesse optado por incluir o sucesso do personagem na trama, o filme soasse um pouco menos carregado.

De qualquer forma "À Procura da Felicidade" é um filme agradável, que flui bem, tem bons momentos e conta com uma boa atuação de Will Smith; que desde "Seis Graus de Separação" não entregava uma perfomance tão sutil e completa.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 7, 2007 .:::::. 3:59 PM

Maria Antonieta (Melhor Figurino)

Sofia Coppola é mesmo uma mulher do caralho. Depois de iniciar uma carreira desastrosa de atriz, ela deu a volta por cima e colheu elogios com o bom "As Virgens Suicidas" e atingiu a glória com o ótimo "Encontros e Desencontros" (que lhe rendeu um Oscar para seu roteiro). A expectativa era grande ao redor de sua biografia "Maria Antonieta" (Marie Antoinette, EUA/Japão/França, 2006). Porém dessa vez Sofia não colheu exatamente louros pelo resultado de seu trabalho...

O ponto chave ao analisar "Maria Antonieta" é estar ciente de que Sofia Coppola pode ter mudado de gênero, mas o seu estilo continua intacto. Sua direção prima sempre pela sutileza e pela linearidade. Não existem grandes arroubos, não existe explosão, clímax. Sofia dispensa estes artifícios para contar a história de Maria Antonieta de uma forma moderna e diferente, tentando extrair mais do que o óbvio da rica personagem que tem nas mãos.

Assim, "Maria Antonieta" é uma análise sobre a mescla de infantilidade e deslumbramento que se instalou na vida da jovem vienense que se viu rainha da França muito cedo. Antonieta apesar dos problemas matrimoniais que afligiram o início de sua vida de casada, nunca deixou de gostar de uma boa festa, de roupas finas e caras, de comer bem, de ser feliz. Para exemplificar isso, Coppola utilizou cenários, figurinos e maquiagens impecaveis; e freou qualquer tipo de emoções muito fortes ou clichês para compor a personagem.

"Maria Antonieta" é uma biografia diferente. Realmente Sofia Coppola poderia ter extraído um pouco mais de vida de sua jovem rainha, que é um pouco exageradamente linear. Alguns personagens são muito superficiais também, incluindo o papel de Luis XVI (interpretado pelo fraco Jason Schwartzman). Mas de qualquer forma o estilo sutil da diretora e sua abordagem sempre modernosa (a trilha sonora é recheada de sons heterogêneos e contemporâneos, incluindo The Strokes e AIR) fazem a diferença.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 6, 2007 .:::::. 3:54 PM

Pecados Íntimos (Melhor Atriz, Ator Coadjuvante e Roteiro Adaptado)

Todo mundo tem um quê de criança, de infantil. Todo mundo tem defeitos, tem segredos, tem aflições, tem medo, receios... "Pecados Íntimos" (Little Children, EUA, 2006) é um exercício de exorcismo destes fantasmas que afligem a vida cotidiana das pessoas. Ambientado num típico bairro de classe média americano, o filme vai revelando aos poucos os problemas de seus personagens; e revela o quanto o homem pode ser infantil em momentos decisivos de sua vida.

Casamento infeliz, vício em pornografia, pedofilia, falta de obstinação, comodismo, falso moralismo, preconceito... "Pecados Íntimos" tenta tratar de todos esses assuntos, numa ciranda de personagens que convivem com tais problemas. Talvez não exista tempo hábil para o diretor Todd Field trabalhar todos os temas que propõe, deixando alguns superficiais demais. Mas ao lidar com a questão do casamento infeliz de Sarah (uma sempre excelente Kate Winslet) e sua vontade desesperadora de libertação, e também ao lidar com a insegurança e falta de metas de Brad (o cada vez melhor Patrick Wilson), e também com o martírio do pedófilo Ronald (Jackie Earle Haley, em bom desempenho); Field é brilhante e extremamente corajoso.

"Pecados Íntimos" e sua narrativa em off tentam apenas fazer uma síntese da complexidade das pessoas, da profundidade do ser humano. Em nenhum momento a fita tenta julgar. A maravilhosa cena em que a persnagem de Kate Winslet discute "Madame Bovary" com outras mulheres resume bem isso. E comprovam a força deste ótimo filme.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 12:01 PM

Diamante de Sangue (Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Edição, Som e Edição de Som)

A África vem ano a ano sendo retratada em produções de prestígio. Primeiro foi "Hotel Ruanda", depois "O Jardineiro Fiel", e agora é a vez de "Diamante de Sangue" (Blood Diamond, EUA, 2006); que retrata a questão da exploração de diamantes em zonas de conflito na Serra Leoa.

A questão é que enquanto "Hotel Ruanda" e "O Jardineiro Fiel" eram filmes que se faziam em cima das questões que abordavam, "Diamante de Sangue" na verdade quer usar o argumento mais como uma ferramenta para entreter num filme assumidamente comercial (e não de arte como os dois anteriores). Nada contra. Unir diversão com assuntos relevantes é algo que o cinema deve continuar fazendo. Mas deve fazer da meneira certa. O que não é exatamente o caso de "Diamante de Sangue"

Escudado por excelentes cenas de combates (todas elas são espetaculares e muito realistas) e um bom elenco (DiCaprio em outra boa atuação, Djimon Hounson cheio de garra e Jennifer Connelly ótima como sempre); o diretor Edward Zwick sabe explorar as belas locações e extrair o melhor do seu elenco; mas erra ao não saber contextualizar bem a sua trama dentro do contexto de filme denúncia a que se propõe. Tudo é muito pincelado, o esquema de contrabando é citado vagamente, o conflito interno de Serra Leoa, a guerra civil, a corrupção do governo... Tudo é apenas jogado descuidadamente na tela, onde os personagens discutem e falam sobre o assunto com pressa e com pouca organização. Para piorar, Zwick ainda força a mão num desnecessário interesse amoroso entre os personagens de DiCaprio e Connelly.

Enfim, um filme cheio de altos e baixos. De qualquer forma vale dar uma conferida.

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 5, 2007 .:::::. 5:32 PM

Filhos da Esperança (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição)

Depois de se lançar internacionalmente com o sucesso de "E Sua Mãe Também", Alfonso Cuarón fez o terceiro filme da franquia Harry Potter (o que dá dinheiro mas não acrescenta muito a carreira de nenhum diretor), mas só agora o diretor conseguiu anexar prestígio ao seu currículo com o ótimo "Filhos da Esperança" (Children of Men, Inglaterra/EUA, 2006); uma ficção científica simples, tensa e eletrizante.

No roteiro, a humanindade em 2027 se torna totalmente infértil. A pessoa mais nova do planeta tem 18 anos, e acaba de ser assassinada. A Inglaterra aparentemente é o único local que se mantém em desenvolvimento, e recebe inúmeros imigrantes ilegais que são perseguidos e confinados. É nesse cenário que um ex-ativista (Clive Owen, em esforçado desempenho) é sondado por sua ex-mulher (Julianne Moore) para conseguir papeis de liberação para uma jovem imigrante. Detalhe: a moça está grávida.

O roteiro é ágil, mas certas perguntas ficam no ar. Por que só a Inglaterra está em evolução? Quais as causas da infertilidade humana? Apesar de importantes, a ausência de respostas para estas perguntas não comprometem o resultado, e ainda impõem um ritmo acelerado a trama. A visão do futuro transmitida por Cuarón é muito interessante, principalmente por não ficar refém de tecnologias e futurismos clichês; mas sim por lidar com problemas e potencialidades que realmente podem vir a afligir o homem no futuro.

Um ótimo filme. Vale a pena conferir.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 1, 2007 .:::::. 4:12 PM

O Labirinto do Fauno (Melhor Filme Estrangeiro, Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora, Maquiagem e Direção de Arte)

Não estava enganado quem disse que "O Labirinto do Fauno" (El Laberinto del Fauno, México/Espanha, 2006) era um dos melhores filmes do ano. Diretor do razoável "A Espinha do Diabo" e do bacaninha "Hellboy", Guilermo Del Toro agora sim conseguiu atingir um nível de excelência ao mesclar o seu mundo de seres bizarros com um roteiro sério, inteligente e intenso.

Durante o final da Guerra Civil Espanhola, um grupo rebelde ainda tenta derrubar o poder vigente. Para combate-los o capitão linha duríssima Vidal (um sempre excelente Sergi López) não mede esforços; e resolve trazer para o acampamento onde está vivendo sua esposa grávida (Ariadna Gil) e a filha desta; a menina Ofélia (Ivana Baquero, uma boa revelação). Ao chegar no local Ofélia é levada por fadas a um labirinto, onde vive um fauno que lhe diz que ela é a reencarnação de uma princesa. A partir daí, fantasia e a crueza dos combates seguem rumos paralelos, até se unirem num desfecho hipnótico.

É é isso, Com uma história extremamente bem contada (que segue um ritmo muito bom), uma direção de arte incrível e maquiagem sensacional; "O Labirinto do Fauno" enche os olhos do espectador com uma mistura milimetricamente bem dosada de fantasia e realidade; que se fundem sem nunca perder o equilíbrio. Excelente.

Nota: 9,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:07 PM

Pequena Miss Sunshine (Melhor Filme, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Roteiro Original)

A comédia indie americana "Pequena Miss Sunshine" (Little Miss Sunshine, EUA, 2006) realmente é uma das gratas surpresas do ano passado. Dirigido pelo casal clipeiro Jonathan Dayton e Valerie Faris, o filme é uma comédia dramática muito simpática, inteligente e interessante.

O diferencial desta fita é que o roteiro além de criativo é desprovido de clichês e situações "lugar-comum". Com calma e sagacidade, o roteiro vai construindo aos poucos as personalidades de seus personagens; defendido por um time heterogêneo e genial. Até Greg Kinnear e Steve Carell deixam as afetações de lado para entregarem ótimas atuações. A sempre ótima Toni Colette também está excelente, ao lado de Paul Dano e Alan Arkin. Mas quem realmente ilumina a cena é Abigail Breslin, como a otimista e empolgada Olive.

Apesar do constante clima de pessimismo dos personagens, além dos problemas individuais de cada um; "Pequena Miss Sunshine" é um filme otimista, e que propõe uma discussão muito interessante sobre os valores impostos pela sociedade. Atualmente todos parecem ter de seguir uma tendencia pre-estabelecida. "Pequena Miss Sunshine" vai na contra-mão de tudo o que é usual, e acerta em cheio.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 31, 2007 .:::::. 5:30 PM

O Ilusionista (Melhor Fotografia)

Depois de fazer sucesso nos EUA (para os padrões de um filme independente) e ser bastante elogiado pela crítica, não pude deixar de me decepcionar e muito com "O Ilusionista" (The Illusionist, EUA, República Tcheca, 2006). Não vale a pena ficar comparando-o com "O Grande Truque", que é similar em termos de época e por lidar com mágicos; mas extremamente diferentes em suas propostas.

A questão é que "O Ilusionista" é um filme muito previsível em todos os sentidos. O final é manjadíssimo. o romance proibido entre os protagonistas não empolga, e a trama policial desenvolvida pelo persongem de Giamatti (em fraco desempenho) também não sai do lugar comum. Em seu favor o filme tem a presença sempre boa de Edward Norton e a opção de utilizar truques e magia sem revelar os segredos profissionais do personagem.

Mas é muito pouco para um filme que prometia ser um dos melhores do ano. Falta magia, falta paixão, falta suspense e mistério. "O Ilusionista" é um filme simples demais, e não tenta em momento algum parecer mais do que isto.

Nota: 6,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:33 PM

Babel (Melhor Filme, Diretor, Atrizes Coadjuvantes, Roteiro Original, Edição e Trilha Sonora)

"Babel" (idem, EUA, 2006) não é o novo "Crash". Apesar de algumas semelhanças, os filmes seguem linhas diferentes, em termos de narrativa e construção de personagens. Portanto o filme de Alejandro González-Iñárritu tem boas chances no Oscar desse ano. Merecidas chances.

Em "Babel", as partes são melhores do que o todo. Isto porque o diretor mexicano tenta forçar um pouco a barra ao tentar unir histórias em diferentes continentes, principalmente a história que se passa no Japão é a mais deslocada e forçosa dentro do contexto imposto por González-Iñárritu.

Porém é a história da japonesa surda-muda Chieko (interpretada brilhantemente por Rinku Kikushi) é a mais bem construída de todas. É nela que o diretor se solta mais, onde explora um mundo de imagens e sons de forma soberba. A ânsia por aceitação e carinho de Chieko é muito tocante e comovente. Já as outras histórias tem suas virtudes, mas os personagens não são tão bem explorados. Adriana Barraza defende sua babá mexicana ilegal nos EUA com vitalidade e força, mas os mais famosos é que sofrem mais com a superficialidade de seus personagens. Cate Blanchett e Brad Pitt vivem um casal em crise sem muito o que dizer, e Gael García Bernal é mero enfeite.

"Babel" apesar das suas limitações sabe explorar bem as tragédias a que se propõe lidar. Forte, a fita tem seu valor ao mostrar a dificuldade humana de se comunicar, onde o meio hoje (política, costumes, preconceito) acaba alterando a vida das pessoas de forma muitas vezes drástica.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 3:59 PM

Os Infiltrados (Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Edição)

Martin Scorsese é um diretor complexo. Sempre competente, seus filmes sempre atingem níveis altos de qualidade, mas até hoje nunca lhe renderam um Oscar. Particularmente eu aprecio o seu trabalho por sua diversificação, qualidade e força; mas até hoje não me empolguei absurdamente com nenhum de seus filmes. São bons filmes. Ponto.

"Os Infiltrados" (The Departed, EUA, 2006) é talvez o filme que para mim o diretor tenha atingido o seu maior ponto de excelência. Porém alguns defeitos continuam permeando seu trabalho. O roteiro de "Os Infiltrados" é do caralho. A inversão de papéis de DiCaprio (um policial infiltrado na máfia) e Matt Damon (um mafioso infiltrado na polícia); ambos de rabo preso com o poderoso Frank Costello (o sempre excelente Jack Nicholson) é elétrica, tensa e muito bem trabalhada por Scorsese. Os coadjuvantes também marcam presença, em especial Mark Wahlberg, como um tira inconformado com burocracias e lenga lengas.

Scorsese comanda o show com a força de sempre, não economizando na violência e nos palavrões. Tudo perfeito, não fosse a duração exagerada do filme. O excesso de metragem é um problema recorrente na filmografia do diretor, e "Os Infiltrados" não é a excessão. Com quase 150 minutos de duração, por mais tenso e bem feito que o filme seja, ele acaba cansando. Notadamente certas sequências poderiam ter sido eliminadas, mas Scorsese continua querendo aproveitar tudo e não sabe economizar.

Enfim, um ótimo filme que só peca mesmo pelos excessos.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 3:39 PM

O Grande Truque (Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte)

Eu não levava muita fé neste "O Grande Truque" (The Prestige, EUA, 2006). Um filme de duelo de mágicos do século XIX não parecia ser lá grandes coisas. Mas era.

Que filmaço. É bem verdade que talvez para muitos "O Grande Truque" seja explicadinho demais. Revelador demais. Se Christopher Nolan um dia já montou um quebra-cabeças chamado "Amnésia", hoje ele não deixa nada no ar. "O Grande Truque" é cinemão clássico no último, apesar da edição tentar nos dizer o contrário.

Mas independente deste fator, o que importa é que o filme é hipnótico. É impossível desgrudar os olhos da tela, e a cada reviravolta Nolan sabe fisgar o espectador mais e mais; até que em seu desfecho o filme ganha você por completo. O bacana de "O Grande Truque" é que existe uma aura de magia no ar, de misticismo; apesar do tom sério. Christian Bale e principalmente Hugh Jackman obtêm interpretações excelentes, e duelam em sintonia pura na tela. Michael Caine manda bem como de costume, e Scarlett Johansson deixa o seu vozeirão grave de lado e obtêm uma boa atuação.

No geral um filmaço. Apenas um pouquinho cansativo em certos momentos, "O Grande Truque" é uma diversão daquelas de fazer valer cada centavo do dinheiro investido.

Nota: 9,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 3:18 PM

O Diabo Veste Prada (Melhor Atriz, Melhor Figurino)

"O Diabo Veste Prada" (The Devil Wears Prada, EUA, 2006) talvez seja o filme mais vencedor da temporada. Custou razoavelmente pouco, rendeu muito, e apesar de ter estreado no meio do ano passado conseguiu figurar nas grandes premiações do ano.

E tal sucesso é mesmo merecido. Afinal, o filme é redondinho, diverte, entretem e é muito bem feito. O diretor David Frankel soube aproveitar bem o material com o qual estava trabalhando, e o complementou com uma edição esperta, trilha sonora bacanuda, figurinos ultra fashions e claro, Meryl Streep.

Streep como a gélida Miranda Priestly comanda o show, sendo responsável por toda a graça do filme. Anne Hathaway faz a sua parte, mas além do show de Meryl ela ainda toma uma surra de Emily Blunt; o que a deixa mais sem graça em cena. Mas além das boas atuações, o filme é interessante por retratar de forma inteligente o mundo da moda. Nada de exageros, nada de muita superficialidade e futilidade. O mundo da moda é um negócio, e como tal exige uma boa demanda de responsabilidade e competência. E "O Diabo Veste Prada" sabe explorar isso.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 2:40 PM

Vôo United 93 (Melhor Diretor, Melhor Edição)

De todos os filmes que ví ano passado e no começo deste ano que estão na corrida do Oscar, este sem dúvida foi o melhor que assisti. "Vôo United 93" (United 93, Inglaterra, 2006) é um filme que consegue mexer com o espectador de uma forma brilhante, sem soar apelativo e assumindo uma postura nem um pouco tendenciosa.

O cada vez mais espetacular diretor Paul Greengrass (o mesmo de "Domingo Sangrento" e "A Supremacia Bourne") comanda o filme com um extraordinário timing, utilizando dois seguimentos distintos em seu filme. No primeiro a idéia de utilizar controladores de vôo de verdade e explicar ao expectador como isso funciona é genial (ainda mais em tempos de apagão aéreo no Brasil depois do acidente com o avião da Gol). No outro segmento, ele utiliza atores desconhecidos para tentar dar o máximo de verossimilhança ao pavor vivido pelos passageiros do vôo da United 93.

Tenso até o último minuto, ágil, nervoso, fantástico. "Vôo United 93" faz com que o espectador sinta e viva o drama dos passageiros como se estivessem lá dentro do avião. E por mais que a gente saiba que o desfecho é trágico, torcemos até o último minuto pelas pessoas que tentaram até o fim preservar suas vidas. Filmaço!

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 30, 2007 .:::::. 9:45 AM

Literatura:Minha Querida Sputnik

Haruki Murakami é um dos autores japoneses mais conhecidos internacionalmente. Talvez porque ele escreva sobre personagens universais, por mais que o fator oriental sempre esteja presente em sua narrativa. Essa mistura bem dosada está presente em "Minha Querida Sputnik", um livro que é no mínimo uma viagem muito louca sobre vários assuntos. O bacana deste livro é que Murakami cria um enredo que se aproxima do surrealismo, mas que em momento algum deixa a trama soar desconecta.

"Minha Querida Sputnik" é um livro gostoso de ler, e ao mesmo tempo é complexo, profundo, faz pensar, Unir estas duas qualidades é algo que raramente encontramos na literatura moderna hoje. Ou os livros são divertidos e pouco profundos, ou a literatura é cabeça e difícil de fluir. A trajetória de Sumire, personagem principal do livro é um davaneio, algo que pode até parecer bizarro, mas que é no fundo uma análise e uma discussão sobre a complexidade da vida de qualquer pessoa.

Ninguém é só o que parece. E Murakami sabe disso.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 9:26 AM

Cinema Europeu: O Que Fazer em Caso de Incêndio?

Vem da Alemanha mais um filme bem interessante, o que reafirma a ótima fase que o cinema daquele país vem obtendo nos últimos anos. "O Que Fazer em Caso de Incêndio" (Was Tun, Wenn's Brennt?, Alemanha, 2002) é uma mistura de comédia e drama que resulta em algo nostálgico sem nunca cair na breguice.

O roteiro esperto é o grande atrativo do filme. Na trama, um grupo punk-anarquista dos anos 80 vivia intensamente a vida fazendo o que mais lhes davam prazer: protestar. Além de brigas com a polícia, eles fabricavam bombas caseiras e as deixavam em prédios antigos e abandonados. O tempo passa, a Alemanha muda, o muro cai... E uma bomba deixada por eles num casarão até então nunca visitado é detonada. A polícia começa a investigar e remoer o passado, que os agora nem tão rebeldes (e muitos deles burgueses) membros do grupo querem esquecer.

O filme tem uma direção muito ágil, é bem editado e os personagens são bacanas e bem interpretados por um elenco talentoso. Mas o melhor de "O Que Fazer em Caso de Incêndio" é sua forma honesta de mostrar o quanto o tempo transforma as pessoas, o quanto os sonhos mudam, o quanto tudo é volátil e efêmero. E o filme mostra como cada integrante do grupo lida com isso.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 29, 2007 .:::::. 2:29 PM

Novo, de novo!

Depois de mais um ano sem muitas possiblidades de manter o blog atualizado, em 2007 vou tentar manter esse espaço sempre com algumas novidades. A partir de agora o blog não falará mais apenas sobre cinema, mas sobre assuntos gerais como música, televisão, literatura. Mas o cinema continuará a predominar por aqui.

É isso. Valeu a todos os amigos que continuam a entrar aqui.

Quem quiser manter contato é só escrever: tiago_fincher@hotmail.com
Abraços, Tiago.


TIAGO HENRIQUE MELO .